Carta Aberta do CEFISMA aos docentes, Diretoria e Comissões do IFUSP – Oficialização da GREVE estudantil

Prezadas e prezados,

Dirigimo-nos novamente a vocês para comunicar uma decisão de peso: na última sexta-feira, 17 de abril, o corpo discente do Instituto de Física deliberou, em assembleia, pela adesão à greve geral estudantil da USP. A partir de hoje, 21 de abril, o IFUSP entra em greve com piquete, acompanhando as demais unidades já mobilizadas e o Sintusp, em greve desde o dia 14.

Nossa carta anterior apresentou as pautas que sustentaram a paralisação de 14 de abril. Escrevemos agora porque as duas últimas semanas deixaram ainda mais evidente por que essa greve se tornou necessária.

No próprio dia da paralisação, a reitoria optou por mais uma manobra infeliz: convocou, em cima da hora e por meios indiretos, um grupo seleto de representantes estudantis, excluindo representações fundamentais e alterando o local do encontro. A pretensa “reunião de esclarecimento” revelou-se o oposto disso — encerrou-se com promessas vagas de novos encontros, sem qualquer compromisso concreto, e com a própria administração demonstrando desconhecer elementos jurídicos centrais da minuta que ela mesma apresenta. No mesmo período, porém, a reitoria foi capaz de uma ação bastante concreta: protocolou ação de despejo contra a lanchonete do DCE, construindo, em silêncio, a jurisprudência que poderá ser aplicada a cada um dos nossos espaços.

Essa contradição, lentidão calculada no diálogo enquanto apresenta agilidade cirúrgica na retaliação, é sintoma. Enquanto relatamos, semana após semana, a presença de vermes na comida do bandejão, o déficit grave de vagas no CRUSP e um valor de auxílio-permanência incompatível com a realidade de quem dele depende para continuar estudando, a instituição se abriga atrás do Parâmetro de Sustentabilidade. Esse mesmo parâmetro, sempre invocado para justificar a ausência de reajustes e a escassez de políticas reais de permanência, revelou sua notável flexibilidade quando convém: cedeu com relativa facilidade para acomodar centenas de milhões em gratificações destinadas a 82% do corpo docente. Se o teto se dobra quando o destinatário interessa, a pergunta se impõe: por que as reivindicações de permanência estudantil, repetidas há anos, continuam recebendo o mesmo “não há recursos”? É importante ressaltar que o corpo estudantil não é contra a bonificação feita aos docentes, apenas esperamos isonomia com os outros setores.

É aqui que a luta dos estudantes se enreda, de modo irrevogável, à dos funcionários técnico-administrativos — e é aqui também que o projeto político mais amplo da universidade se descortina.

Diante desse quadro, o corpo discente do IFUSP, reunido em assembleia em dois horários (13h e 18h) na última sexta-feira, deliberou pela greve geral estudantil com piquete, a partir de hoje, 21 de abril de 2026. O resultado foi expressivo: 200 votos favoráveis, 23 contrários e 18 abstenções, abrangendo graduação e pós-graduação.

Solicitamos, portanto, formalmente:

  1. A suspensão de todas as aulas, provas, entregas de listas e demais atividades avaliativas durante o período de greve, em respeito à deliberação da assembleia estudantil.

Reforçamos um ponto fundamental: greve não é recesso. Teremos programação semanal no instituto, incluindo café da manhã coletivo, monitorias, grupos de estudos, sessões abertas sobre a contraproposta à minuta dos espaços estudantis e sobre as reivindicações específicas do IFUSP, oficinas de arte em parceria com os funcionários (com exposição conjunta ao final) e grupos de trabalho para análise de dados da greve em articulação com outros institutos, como o de Matemática e Estatística.

Reiteramos ainda:

  1. Monitoras e monitores podem entrar em contato conosco para organizar sessões com suas turmas, de modo a minimizar prejuízos acadêmicos;
  2. Dada a forte adesão da pós-graduação às assembleias e as especificidades desse setor, abriremos um canal dedicado de conversa para construirmos, em conjunto, um método que atenda às demandas urgentes da pós e incorpore suas sugestões;
  3. Permanecemos abertos ao diálogo contínuo. Convidamos todas as docentes e todos os docentes para as atividades programadas e colocamo-nos à disposição para agendar reunião em que possamos esclarecer o conjunto de nossas pautas e, sobretudo, ouvir as opiniões do corpo docente.

Cabe registrar, ainda, que diretoras e diretores do CEFISMA têm conversado pessoalmente com docentes do instituto ao longo dos últimas dias, e a impressão que colhemos é consistente: a maior parte do corpo docente sente falta de um canal direto de comunicação com o corpo discente, sobretudo porque a narrativa que chega pela reitoria tem sido, em diversos pontos, muito distante daquela vivida no cotidiano do IFUSP. Diante disso, reforçamos nosso pedido de reunião com o corpo docente, para que possamos apresentar diretamente nossas pautas, ouvir perguntas e observações e construir, em conjunto, uma leitura compartilhada do que está em disputa.

Há um debate, em particular, que gostaríamos de levar a essa mesa, porque precede a conjuntura desta greve e precisa ser enfrentado coletivamente: o do próprio Parâmetro de Sustentabilidade Econômico-Financeira. A Resolução 7.344/2017 fixou em 85% o limite de comprometimento das receitas do Tesouro com folha de pagamento, e o orçamento de 2026 opera com esse indicador em 84,2% — colado ao teto. Na prática, trata-se de um parâmetro de escassez: com ele, tornam-se simultaneamente inviáveis uma política consistente de valorização da carreira universitária — para docentes e funcionários — e uma política real de permanência estudantil. Cabe-nos, contudo, afirmar que essa discussão precisa ser aberta, de forma tripartite, entre docentes, estudantes e funcionários. Tomar o Parâmetro como dado, fixado uma única vez em 2017 e blindado contra o debate, é abrir mão, na prática, da universidade pública que todos temos interesse em defender.

Segue em anexo o Ofício do CEFISMA, com o pedido formal de suspensão das aulas.

Atenciosamente,

Centro Acadêmico de Física — CEFISMA

Instituto de Física da Universidade de São Paulo

São Paulo, 21 de abril de 2026.

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