NOTA DO CEFISMA EM RESPOSTA À CONVOCAÇÃO DA DIRETORIA DO IFUSP

Na manhã de hoje, a Diretoria do IFUSP fez chegar ao corpo discente uma convocação para reunião com os docentes do instituto, em dois horários, no Auditório Abrahão de Morais, amanhã, 24 de abril. A pauta anunciada é dupla: prestar esclarecimentos sobre as reivindicações estudantis e discutir as atividades acadêmicas a partir de 27 de abril. Queremos aproveitar este espaço para esclarecer de saída alguns pontos que a comunidade precisa ter em mente antes de entrar nesse auditório.

O primeiro deles é o que está por trás da relação entre as aulas e a greve. Grevistas não estão faltando por descuido nem pausa improvisada no calendário. Se trata de um período suspensão política e coletiva das atividades acadêmicas, deliberada por em assembleia. Como a nota pública do DCE, divulgada em resposta à PRG, lembra com precisão, a proibição de aulas remotas e gravadas não é excesso normativo: ela é precisamente o que impede que a mobilização seja esvaziada por fora. Sem aula, sem falta. Se o calendário seguir rodando normalmente para parte da comunidade enquanto grevistas acumulam prejuízo, o que se configura, na prática, é retaliação indireta, ainda que não seja nomeada assim. Tratar a matéria como “ministrada” por disponibilização de material, ignorar o direito constitucional de greve e empurrar a responsabilidade pela reposição para fora do IFUSP são movimentos que caminham na mesma direção: a de fazer do calendário um instrumento de pressão sobre quem se mobiliza. É por isso que a garantia de não-retaliação (acadêmica, política e judicial) é, desde o primeiro dia, uma das principais reivindicações desta greve.

Sobre a reunião de amanhã, 24 de abril, às 14h e às 19h, convocamos toda a comunidade discente do IFUSP, bem como os funcionários técnico-administrativos em greve, a comparecerem em peso, nos dois horários. A presença estudantil e dos trabalhadores é fundamental.

Em primeiro lugar, é preciso registrar com clareza: essa reunião não é deliberativa. Quem delibera sobre a greve estudantil é a assembleia estudantil, e só ela pode encerrá-la. Nenhum encaminhamento tomado em auditório convocado pela Diretoria substitui, altera ou suspende a decisão soberana de 17 de abril. Isso não torna a reunião irrelevante, torna-a, ao contrário, um espaço que precisa ser ocupado com clareza sobre o que ele é e o que ele não é.

Em segundo lugar, esse espaço responde, em parte, a um pedido que já fizemos formalmente. Em nossa carta aberta aos docentes solicitamos reunião com o corpo docente do IFUSP para apresentar diretamente nossas pautas, ouvir perguntas e observações e construir, em conjunto, uma leitura compartilhada do que está em disputa. Este pedido segue de pé, e amanhã usaremos o tempo disponível no Auditório Abrahão de Morais exatamente para isso: falar em nome próprio, apresentar o que está em jogo na minuta dos espaços estudantis, expor o que significa na prática a forma como o Parâmetro de Sustentabilidade tem sido operado, e explicar por que a greve dos estudantes e a greve dos funcionários são complementares.

Precisamos estar lá em número suficiente para que o auditório não seja um palco de esclarecimentos unilaterais, mas um espaço real de escuta mútua. Reafirmamos, como fizemos nas cartas anteriores, que permanecemos abertos ao diálogo contínuo e que recebemos esta reunião nesse espírito, desde que ela seja, efetivamente, um espaço de diálogo, e não de apresentação de fato consumado sobre o retorno das aulas em 27 de abril.

A greve no IFUSP segue ativa programação diária e articulação com o restante da USP. Seguiremos no instituto, seguiremos nas ruas e estaremos no Auditório Abrahão de Morais amanhã, nos dois horários, para ocupar o espaço que a Diretoria abriu e para lembrar, a greve só se resolve pela via que sempre propusemos: negociação efetiva, respeito ao direito de greve e garantia de que nenhum estudante será penalizado por ter decidido, em assembleia, lutar pela universidade pública que todos dizem querer defender.

É também por isso que reforçamos, de imediato, o chamado para o ato unificado de hoje, 23 de abril, às 16h, com concentração no P1 do campus Butantã em direção à Faria Lima. É ali, na rua, ao lado dos funcionários em greve, que a pauta desta mobilização aparece em sua inteireza: permanência estudantil digna, reajuste para os trabalhadores, defesa dos espaços estudantis contra a Minuta de Termo de Permissão de Uso e, sobretudo, a abertura do debate há anos adiado sobre o Parâmetro de Sustentabilidade Econômico-Financeira. Estar no ato é parte de sustentar a greve. É parte de afirmar que a resposta à convocação de amanhã começa hoje, no espaço público.

Centro Acadêmico de Física, CEFISMA
Instituto de Física da Universidade de São Paulo

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