Durante esta semana, a greve estudantil terá três espaços políticos centrais: uma mesa de negociação com a reitoria e duas assembleias estudantis. Essa configuração, na qual uma rodada de negociação é seguida de deliberações nas instâncias da categoria, deve se repetir ao longo das próximas semanas, à medida que a greve avança e novas rodadas de discussão e proposição forem necessárias. Cada um desses espaços tem uma função distinta, e compreender essas diferenças é essencial para acompanhar e participar do processo.
O primeiro espaço é a reunião do Comando de Greve Geral com a reitoria. Esta reunião é composta por representações eleitas pelos comandos de greve dos diferentes institutos da USP em articulação regional. O Baixo Matão (IF, IME, IAG, IO e IGc), em particular, terá uma representante eleita pelo Comando de Greve da Geral em conjunto com os demais comandos da região. A função desse espaço é apresentar à reitoria as reivindicações construídas coletivamente nas plenárias e nas instâncias estudantis, e receber a resposta institucional. É importante destacar que se trata de um espaço de negociação, e não de deliberação: nada do que é assinado nessa reunião encerra a greve, e nada do que é dito nela substitui as decisões tomadas pelas assembleias da categoria. A representante leva à mesa uma posição previamente definida pela base e, após a reunião, retorna às instâncias para prestar contas, de modo que qualquer encaminhamento decorrente da negociação seja submetido à deliberação coletiva antes de qualquer aceitação.
O segundo espaço é a Assembleia Geral des Estudantes da USP, convocada pelo Diretório Central des Estudantes da USP (DCE Livre da USP). Esta assembleia tem o papel de reunir, em escala universitária, os estudantes do conjunto da USP para debate e referendo de direções comuns ao movimento. As deliberações tomadas nela orientam o posicionamento da categoria estudantil no nível da Universidade.
O terceiro espaço é a Assembleia Geral des Estudantes da Física. Esta é a instância soberana dos estudantes do IFUSP, o único espaço com poder de manter, alterar ou encerrar a greve no nosso instituto. É nela que se deliberam, em última análise, os próximos passos da mobilização local, com base no que foi apresentado na mesa de negociação e no que foi debatido na Assembleia Geral da USP.
Os três espaços operam em sequência ao longo da semana: a reunião com a reitoria produz uma resposta institucional; a Assembleia Geral da USP debate essa resposta no nível do conjunto da Universidade; e a Assembleia da Física delibera, com base nas duas etapas anteriores, os próximos passos do IFUSP. As datas, horários e locais das três instâncias estão divulgados em peça apartada.
Dessa forma, a duração da greve está diretamente condicionada à dinâmica desses três espaços políticos: enquanto não houver, na sequência das rodadas, encaminhamentos satisfatórios da reitoria e a deliberação correspondente das instâncias estudantis, a greve segue em vigor.