DOSSIÊ DE OCORRÊNCIAS DA GREVE: CEFISMA E COMANDO DE GREVE ENCAMINHAM REGISTROS À DIRETORIA DO IFUSP E À CIP

O Centro Acadêmico de Física (CEFISMA) e o Comando de Greve dos Estudantes da Física encaminharam, hoje, o primeiro dossiê de ocorrências sistematizadas durante a greve estudantil do IFUSP. O documento foi entregue à Diretoria do Instituto de Física da USP, com cópia à Comissão de Inclusão e Pertencimento do IFUSP (CIP). Esta nota apresenta, em linhas gerais, o que o dossiê traz e por que ele importa.

  1. O QUE FOI ENCAMINHADO

O dossiê reúne, em formato consolidado, dezesseis ocorrências válidas registradas no Formulário Oficial de Denúncias mantido pelo CEFISMA e pelo Comando de Greve, no período de 27 de abril a 4 de maio de 2026. As ocorrências estão agrupadas por tipologia, e o documento foi escrito com tom estritamente expositivo: relatos factuais, organizados, sem dramatização, sem inflação retórica, sem encaminhamentos automáticos para sanção.

A finalidade do dossiê é dupla. Primeiro, oferecer à Diretoria do IFUSP e à CIP um quadro factual e organizado das situações que vêm afetando a comunidade discente do Instituto durante a paralisação, para que possam atuar nos limites de suas competências em defesa da não-retaliação à categoria estudantil. Segundo, registrar publicamente, em documento institucional, o que está sendo feito a partir dos relatos da base, e responsabilizar quem precisa ser responsabilizado, sem reduzir ninguém ao papel de réu antes da apuração.

  1. AS DEZESSEIS OCORRÊNCIAS, EM PANORAMA

Nesse período de uma semana e meia, foram seis registros de aulas presenciais ministradas durante a paralisação, cinco registros de aulas remotas ou online, um caso de substituição de aula presencial por aula gravada com cômputo automático de presença, dois casos de avaliações ou seminários marcados durante o período e e um caso de coação, assédio moral, ameaça de sindicância e tentativa de identificação e fichamento de estudantes em razão da participação na greve.

O dossiê preserva a confidencialidade dos estudantes que apresentaram os relatos, conforme as autorizações marcadas no formulário, e nomeia os docentes envolvidos quando essa informação consta dos registros, conforme prática usual em encaminhamentos formais. Esta nota pública, por sua natureza, não nomeia disciplinas nem docentes, e se concentra no quadro coletivo. As pessoas atingidas que quiserem entender o estado de seus casos podem procurar diretamente o CEFISMA.

Há também, no dossiê, um caso de resolução pelo diálogo: uma docente que, após conversar diretamente com os estudantes da disciplina, passou a reconhecer as questões colocadas pela paralisação. A situação está resolvida, e o CEFISMA e o Comando de Greve registraram, no próprio documento, elogio à conduta da docente, que conduziu a divergência inicial pelo caminho do respeito mútuo e da composição com a deliberação coletiva. Esse caso permanece no dossiê em sua dimensão informativa, e a título de memória do processo: a maioria dos impasses se resolve pela conversa quando há disposição para conversar.

  1. O CARÁTER PACÍFICO DO PIQUETE E O DESLOCAMENTO DA TENSÃO

O dossiê faz uma afirmação que precisa ser reiterada nesta nota, porque é a verdade do processo: o piquete estudantil tem se desenvolvido de maneira ordeira e pacífica desde o início da paralisação. Presença organizada nas entradas dos prédios, diálogo direto e respeitoso com docentes e estudantes que se aproximam dos espaços, explicação da deliberação assemblear, solicitação de adesão. Em nenhum momento foram registradas, por parte do movimento, ações de violência física, dano ao patrimônio, agressão verbal ou bloqueio coercitivo de qualquer pessoa.

O conjunto das ocorrências sistematizadas no dossiê aponta, por contraste, na direção oposta. As situações de tensão verificadas até agora decorrem de iniciativas de uma pequena parte do corpo docente, do IFUSP e de unidades externas que ministram disciplinas obrigatórias do curso de Física, e não da postura da base estudantil mobilizada. Em um caso, essa iniciativa extrapola, com folga, o campo da divergência política legítima sobre a paralisação e ingressam no terreno da coação acadêmica e do assédio moral. É por isso que a CIP do IFUSP foi incluída no encaminhamento.

  1. O DOSSIÊ TAMBÉM TRATA DA QUESTÃO DAS AULAS REMOTAS

Uma das dimensões do dossiê é o registro de que a conversão unilateral de aulas presenciais para o formato remoto, por iniciativa do docente da turma, durante o período de greve, não tem amparo normativo. As disciplinas envolvidas foram cadastradas e ofertadas pelo IFUSP na modalidade presencial. A obrigatoriedade da frequência presencial está estabelecida no artigo 47 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no Regimento Geral da USP, em seus artigos 82 e 84, e na Resolução CoG nº 8754, de 26 de fevereiro de 2025, que reafirma a presencialidade como regra das disciplinas presenciais. Em âmbito federal, o Decreto nº 9.057/2017 e a regulamentação subsequente fixam percentuais máximos de carga horária a distância em cursos presenciais, sendo vedada a oferta de disciplina presencial integralmente em modalidade remota fora dos procedimentos institucionais previstos.

Em outras palavras: a aula remota improvisada para furar a greve não regulariza a paralisação, e ainda compromete o plano de ensino e o registro acadêmico de frequência. O CEFISMA e o Comando de Greve trazem essa observação à Diretoria, que tem competência para endereçar institucionalmente essa dimensão das ocorrências.

  1. POR QUE A DENÚNCIA É O CENTRO DESTA GREVE

A denúncia documentada é, antes de qualquer outra coisa, a peça central da defesa coletiva e individual da comunidade durante a paralisação. Não é um exercício de exposição pública, nem uma forma de constranger pessoas; é instrumento de proteção. Cada relato registrado constitui prova material que pode ser mobilizada em três direções distintas, e este dossiê é a primeira amostra disso na prática.

A primeira direção é a defesa direta de cada pessoa atingida. Quando a contagem indevida de uma falta é registrada, ela pode ser contestada. Quando uma ameaça de sindicância é registrada, ela perde a força de chantagem silenciosa que tinha enquanto não estava no papel. Quando uma tentativa de fichamento é registrada, ela passa a ter custo institucional para quem a praticou. O que não se registra, não se contesta. O que está documentado, defende.

A segunda direção é a construção de uma base documental sobre o subconjunto específico de condutas que vem comprometendo a paralisação. Aqui é preciso ser explícito, porque o registro sério exige a contextualização adequada: a maior parte do corpo docente do IFUSP, neste momento, está respeitando a greve estudantil ou, apoiando-a, em conformidade com a recomendação institucional da Diretoria de tratar este como um período de não-aula. Há, inclusive, docentes ativamente solidários à mobilização, e há docentes que, em divergência política com a paralisação, conduziram a discordância pelo caminho do diálogo e da composição com a deliberação coletiva, como aliás registra um dos casos do próprio dossiê.

Os dezesseis casos sistematizados no documento não retratam, portanto, a categoria docente como um todo, e o CEFISMA e o Comando de Greve fazem questão de marcar essa distinção. O que esses casos mostram é que existe um subconjunto de iniciativas que, postas lado a lado e organizadas por tipologia, com data, hora, local e modalidade, deixam de ser mal-entendidos isolados e passam a configurar padrões de conduta específicos. Padrões dessa natureza são objeto de tratamento institucional. O que está no dossiê não é o corpo docente do IFUSP; é o desvio dentro dele. E é esse desvio que o registro documenta, justamente para que ele não se generalize.

A terceira direção é a memória política do movimento. As próximas gerações de estudantes do IFUSP terão, nesta documentação, a base concreta sobre como a Universidade respondeu, e como deixou de responder, à mobilização de abril e maio de 2026.

  1. CONTINUE DENUNCIANDO

A greve segue, e o formulário segue aberto. Toda ocorrência de aula em descumprimento da deliberação coletiva, contagem indevida de faltas, avaliação marcada no período, pressão direta de docente, ameaça de retaliação acadêmica, assédio em suas diversas formas, ou coação, inclusive entre estudantes, deve ser registrada. O preenchimento pode ser feito de forma totalmente anônima. A pessoa que denuncia decide, ao final, como a informação poderá ser utilizada, e essa decisão é estritamente respeitada.

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O FORMULÁRIO!

Em situações de risco imediato à integridade física, psicológica ou acadêmica, a procura direta à diretoria do CEFISMA ou aos integrantes do Comando de Greve é o caminho mais rápido. Para os demais casos, o formulário é o canal oficial, e o link permanece fixado no Instagram do CEFISMA durante todo o período de greve.

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