Aviso: eu, Triz Persoli, não tenho acesso a todos os documentos oficiais sobre a reforma da antiga biblioteca e sobre o novo prédio IF e IAG. Desta forma, este texto não passou por uma checagem de fatos e então não tem pretensões de ser um texto jornalístico e sim de ser um texto provocativo. Minhas informações sobre essa reforma vem de diversas reuniões em que estive presente e conversas de corredor; destaco as reuniões do CEFISMA com a diretoria, a Assembleia com os três setores sobre a biblioteca, a reunião aberta durante a semana da biblioteca de 2025, a reunião do GT (grupo de trabalho) do Plano Diretor do IFUSP e a reunião do CTA (conselho técnico administrativo) de março. Peço para que os leitores provocados procurem as autoridades IFUSPianas para obterem todas as informações atualizadas.
A comunidade IFUSPiana está, desde meados de 2023, sem acesso (direto) à antiga biblioteca, que ficava em frente à ala central do prédio principal do IFUSP. A biblioteca entrou em reforma quase três anos atrás devido a um problema no teto, que começou a permitir a entrada de água dentro do prédio, danificando o acervo. Nesses vários anos, os alunos receberam diversas atualizações sobre a situação vindas de diversas fontes e, essas atualizações, vinham sempre acompanhadas de uma previsão (que nunca se realizava) para a entrega da biblioteca. Claro que, uma obra estimada para durar três meses não se estende por quase três anos sem um bom motivo. Para não me delongar muito falando do antigo prédio, vou encurtar a nossa epopéia IFUSPiana da reforma da biblioteca:
A empresa responsável pela reforma faliu
Faliu com o bonde andando, disse que sumiu
Isso gerou uma reação em cadeia de problemas
Teve processo, teve briga e muitos dilemas
Mas a reforma voltou e então a reforma ficou
E o acervo tá no laboratório que “ressonou”
E é claro que isso não muda o fato
Do nosso acervo ter sido danificado
E é claro que, depois da reforma, fica a dúvida
Do que vão fazer com o espaço e com a vida
Agora, sobre a entrega do antigo espaço da biblioteca, temos que na versão mais recente da história, obtida durante a semana da biblioteca de 2025, foi dito que ainda era preciso limpar o acervo – que, dentre os danos causados pela água, contempla a presença de mofo – e, após a limpeza, ainda seria necessário pintar as paredes e fazer trabalhos de zeladoria. Com as novas leis de licitação, que afetam a forma com que a USP contrata serviços e faz compras, o tempo de espera até que seja decido uma empresa para fazer um determinado serviço aumentou drasticamente. Para fazer essa escolha, é feito um “leilão” federal (de quem cobra menos) para decidir a empresa e, após feita a decisão, as demais empresas podem pedir recurso e, então, demora ainda mais (faça sua própria pesquisa para se aprofundar no assunto). Assim, a previsão mais otimista para a entrega daquele espaço é para o final deste ano.
Quando se pergunta de biblioteca para a direção do IFUSP, dificilmente a primeira resposta será sobre o antigo espaço na frente da ala central. Quando se pergunta de biblioteca (e de reforma de auditórios, de sala de amamentação, de sala sensorial), se recebe a promessa do novo prédio do IFUSP (e do IAG). A existência deste prédio, pelo que “este autor” entende, foi primeiro concebida durante a gestão do professor Manfredo Harri Tabacniks, mas não consegui encontrar nenhuma evidência concreta de que este é o caso. Desta forma, não entrarei no mérito de qual gestão da diretoria é responsável pela primeira idealização deste novo prédio.

Porém, acho importante que todos nós estejamos a par do que está acontecendo, pois isso vai impactar nosso dia-a-dia (e esse impacto será logo). Seguem as perguntas + frequentes:
- Onde vai ser esse novo prédio?
- No gramado entre o IFUSP, o IO, o IME e o IAG.
- Quanto tempo para ele ficar pronto?
- Falaram de uma previsão de 2 anos, algo para ser entregue em 2029, imagino. As obras devem começam entre esse ano e o próximo.
- Por que o prédio não é só do IF?
- Bem, o porquê porquê eu realmente não consigo te responder (tenho minhas teorias), mas consigo dar uma ideia do como vai funcionar na prática, segue no próximo parágrafo.

As salas de aula e de estudos serão divididas com o IAG, mas parece que terá uma preferência pelas atividades do IFUSP, visto que o prédio é do Instituto de Física. Noto que ainda não tem nada em pedra sobre essa preferência. A biblioteca do IFUSP vai ser unida com a biblioteca do IAG, ambas ocupando o mesmo espaço físico no primeiro andar do novo prédio. Até onde “esse autor” sabe, administrativamente as bibliotecas ainda vão ser separadas, mas não tenho certeza se isso ainda se mantém.
Existe o receio (e eis minha teoria) que as bibliotecas vão ser fundidas para que tenhamos uma redução de funcionários. Claro que, ajuda ainda mais minha conspiração o fato que no projeto deste novo prédio está previsto a existência de totens de autoatendimento na biblioteca. Sabemos que, do parâmetro de sustentabilidade da USP, é esperado que tenhamos 4 professores a cada 6 funcionários (tenho fonte concreta! https://jornal.usp.br/universidade/usp-decide-que-40-dos-seus-funcionarios-devem-ser-de-professores/.), e o IFUSP ainda está longe de atingir esse parâmetro – temos uma proporção de 2.2, longe da “meta” de 1.5. Então, faz todo o sentido (na minha cabeça e talvez na sua) esse prédio vir junto de algumas demissões.
Agora, o que mais vai ter nesse prédio? Bem, muitas salas de estudo, de coworking, uma lanchonete, um bicicletário, salas de aula (tanto auditórios como salas pensadas para metodologias alternativas de ensino), local para exposição de pôster, um terraço para eventos durante o pôr do sol (ou também em outros horários menos bonitos) e (fica minha dúvida se vai ter esses últimos itens) uma sala de amamentação e uma sala sensorial. Digo que fica a dúvida pois, na reunião em que o projeto foi apresentado (reunião do CTA), não ficou claro se já tinham sido designados espaços específicos para essas duas finalidades ou se ainda não estamos na fase de fazer tais atribuições. Acho importante a comunidade IFUSPiana bater na tecla da importância desses espaços, só por garantia.

O prédio, na opinião “deste autor”, não é de todo ruim. Acho legal algumas propostas: gosto de mais salas de estudos, de mais espaços de convivência, de um bicicletário, de acessibilidade digna. Mas, é muito difícil engolir um prédio de 4 andares sabendo que tem muitos outros prédios no IFUSP desesperados por uma reforma que custaria 1/3 do dinheiro que vai para a construção. É difícil engolir essa promessa de nova biblioteca quando eu tive que explicar para três gerações de ingressantes (os de 24’, 25’ e 26’) que temos uma biblioteca em reforma e eles terão acesso somente a um acervo reduzido. É difícil engolir quando o prédio principal do IFUSP peca muito com acessibilidade.
Não quero dar a entender que não vejo o árduo trabalho feito pela diretoria, pelos funcionários da biblioteca e pelos professores da comissão da biblioteca. Escutei a epopéia da reforma e realmente, foi um pesadelo e vocês fizeram o melhor possível. Agradeço muito pelo acesso ao acervo no antigo Laboratório de Ressonância Magnética e por abrirem o vão livre da biblioteca para usarmos como espaço de convivência. Sei que o dinheiro destinado a esse novo prédio não pode ser remanejado para outros fins (como reformas nos demais prédios do IFUSP). Mas, ainda assim, é frustrante.
Eu, Triz Persoli, não vou ficar mais muito tempo no IFUSP. Me formo este ano e devo seguir com meu mestrado em outro instituto. Mas eu penso muito nos alunos que vão vir depois de mim, que vão passar não muito tempo no IFUSP mas que vão querer aproveitar cada segundo. Eles se importam com a biblioteca, com os espaços de convivência, com as salas de estudo e com as salas de aula; esse prédio é de interesse deles também. Conversei com alguns alunos antes de escrever esse texto e a maioria deles não sabia da existência deste prédio (alunos que entraram em 2024), como pode um prédio de 4 andares ser erguido nessa situação? Se for inevitável a construção dele, que os discentes, os professores e os funcionários saibam o que está acontecendo pois eles se importam, ou ao menos eu acredito que eles se importam.
Não sei de tudo, não tenho nem todas as perguntas nem todas as respostas. Mas, bem, aqui está o que eu sei e o que eu penso.
Sobre o autor:
Triz Persoli é atualmente RD (representante discente) do CTA, foi RD da CG (comissão de gradução) em 2024 e 2025, é vice presidente do CEFISMA e está no 7º semestre do bacharelado em física. E, claro, assistiu a última temporada de bridgerton (pelas lésbicas) e adora escrever poemas.