Aprecie algumas obras de artes produzidas pelos alunos do Instituto!
Avelã
Evelyn
Hoje, durante o café da manhã, notei-me lembrando de um passado distante. Já a algum tempo sou um homem velho e cansado, mas houveram dias em que já tive grande destaque. Desde cedo, interessei-me em estudar a mente humana e seus espectros de maneira profunda. Tal foi essa fascinação, que dediquei um longo período ao aprendizado da psicanálise.
Quando era jovem, consegui meu primeiro emprego na área, em uma clínica especializada. Cidade pequena, poucas pessoas. Recebi como minha primeira paciente uma garota. Já não me lembro de seu nome ou sua aparência, mas tenho gravado em minha mente cada uma de suas palavras.
Ela chegou em um dia comum, com pouco sol. Me confessou que vinha por ordem dos pais, queriam que procurasse atendimento. Tinha nas mãos doces feitos de avelã. De início, julguei que se tratava de uma daquelas situações recorrentes de pais distantes e criança mal compreendida. Com certo tempo de escuta, compreendi. De fato, ainda era criança, sentia-se como uma.
Nos primeiros dias, tinha seu rosto claro em minha mente. Mas então, passaram-se 2 ou 3 semanas e a cada vez que a via, seu rosto se tornava menos nítido, mesmo com sua presença rente aos meus olhos. Era tanta dor, tanta mágoa, que a cada palavra dita de sua boca, todo esse sofrimento tomava a frente, a ofuscava e falava em seu lugar. Não sobrava nada de si. Era uma garota tão frígida, tão ausente. Mas ao mesmo tempo era alguém de dentes e músculos.
Me contava de sua vida entre entrelinhas, mas não sem antes dar dezenas de voltas entre detalhes que não diziam respeito a ela. Os animais de rua, a roupa social do vizinho estendida no varal, o livro que o homem do ônibus estava lendo, o ambulante que cantava no meio da feira. Observava tudo, sentia tudo. Notava as coisas e pessoas com quem ninguém se importava.
Com o passar dos dias me mostrou cada vez mais sua visão das coisas, sem que eu sequer compreendesse. Dizia-me que temia estar desaparecendo. Via o próprio corpo em diversos fragmentos. Não se reconhecia como alguém propriamente dito. Sua dismorfia corporal pintava em sua própria mente uma mulher unidimensional.
Seus relatos eram intensos, sua angústia era pautada em alguém que estava o tempo todo pensando demais, apreciando demais. Porém, ao mesmo tempo, seu corpo não acompanhava todo esse sentir. A própria natureza a sabotava. Afinal, ela via tudo, mas ninguém a via. Na cidade, era como se não existisse. Não passava de uma espectadora invisível.
A mulher unidimensional, morava em um bairro que ninguém sabia o nome, nem mesmo seus pais (que a essa altura já haviam se esquecido dela). Em outro tempo, já havia levado uma vida linear e consistente, que desandou por sua própria conta. Começou devagar, sem que ela percebesse. Passava horas no chuveiro quente, tentando aquecer um frio de alma. Ficava dias sem comer. Dormia por finais de semana completos.
Os pais haviam se esquecido, a cidade havia se esquecido. Ela estava se esquecendo de si! Seus dias alternavam entre passagens lentas que duravam anos ou um simples estalar de dedos. Me confessava que às vezes vivia uma vida inteira em uma única tarde sentada no meio fio. Me dizia que evitava sair às ruas, porque chorava de maneira incontrolável. Imaginava a vida das pessoas, seus filhos, empregos… Se angustiava pelas angústias alheias, por cargas que não era capaz de suportar.
Foi então que em um dia qualquer, com muito sol, olhei pela janela. Sentado em minha sala, de repente notei: Ela havia sumido para mim também. Quanto tempo havia se passado? Como eu não havia percebido? Desesperado corri, procurei, li e reli. Havia deixado passar. Ela havia passado por mim também.
Já não me recordo tão bem de certos detalhes, porém, depois de tanto tempo, posso confidenciar: A mulher unidimensional poderia ser a única pessoa sã, todos os outros (nós), vivíamos adoecidos. Fui infectado também. Fui me esquecendo. Passei a envelhecer.
Passaram-se dias até que cada fragmento desaparecesse de mim. Primeiro seu nome, depois sua voz, e por último seu rosto… Até que não sobrou mais nada além desse breve relato, imortalizado nas memórias de um homem agora idoso.
Poema a um Camarada
Escobar
Dias terríveis
Dias de frio
E então, de repente, tudo vermelho sangue
Uma palavra de ordem é dita num espaço vazio
Galopes de cavalo ao longe intensificam o som com o passar do tempo
Eles estão vindo.
Mas enquanto chegam, um grito pelo poder popular ecoa
Vozes unificadas em um coro
Nenhum jogral se faz necessário
O povo clama pela revolução
E você, camarada, é a quem confio minha vida
Nas trincheiras ou nas críticas
Nas festas ou nos atos
Eles chegam, tentam impedir nossos sonhos
Mas unidos, os derrotamos
Todo o povo unido pela humanidade
Sem amarras nem correntes
Aquele sangue do início volta a circular em minhas veias
Agora mais forte, mais vermelho
A hemoglobina se torna oxihemoglobina tão rápido quanto encho meus pulmões
Um objetivo, um horizonte no futuro
E no fim do dia, beber cerveja com meus camaradas
Ei, camarada
Me chame de Escobar
Sei pouco ainda de cada um dos três pilares do marxismo
Mas iremos aprender todos unidos
Não sei falar com pessoas desconhecidas
Mas camaradas não são desconhecidos
Venceremos a opressão
Construiremos um novo futuro
E então, poderemos sorrir numa tarde assistindo o pôr-do-sol tornar o céu vermelho
Desconversa
Steps
A palavra atrofia em cada apóstrofe,
onde aglutina o sentimento,
ela sintetiza e estiliza por um instante,
o seu jeito cinzento.
E você me confunde dizendo
com seus trejeitos isentos.
As vozes na minha cabeça
elas não tem sentido que se ofereça.
Cada sílaba em seus lábios
são o quê?
As nuvens da sua Lua
ventam quais histórias cruas?
Carcaça
uhtrA
Peço perdão por todos os danos emocionais
Que causei
Minha intenção nunca foi machucar os animais
E toda a carne que usei
Eu precisei
Para deixar o mundo para trás
Eu sei que um pedido de desculpas não vai me salvar
De todo o amor que eu quebrei
Apenas para tentar resgatar
A mesma criança que deixei escapar
Quando o mundo enxerguei
Meus olhos fechei
E toda poesia que existia
Eu julguei como mentira
Perdoe-me pelos meus erros
E por chorar falsamente em enterros
Por mentir a esmo
Quando o contexto
Não me favorece mesmo
Perdoe-me por queimar meus sapatos
Na frente de pessoas fracas
Apenas para atiçá-las
A me amar
A querer amar
Os defeitos preciso superar
Ou amar
Não sei mais o que pensar
Mas reconheço que minha carcaça é maior
Do que qualquer arte singular
Capaz de me consertar
Eu não posso mudar
Meus ossos
Não irão sair do lugar
Para que eu me sinta
Novo
E de novo
Vou quebrar
Então já adianto
Não acredite
No meu falso canto
Por ajuda
Nada do que eu falo realmente existe
Eu não existo
Ouvi falar que você me amava nas ruas
Jura ?
E elaboraram pinturas inseguras
Da minha face até eu perder a releitura
Minha carne agora fragmentada em nervuras
E meus amigos com suas paixões prematuras
Quem sou eu
Senão a carcaça
De minha alma exposta e impura ?
É loucura
Pensar
Demais
É mais louco ainda
Nada pensar
Para se esconder dos demais
E eu já não sei mais
Se existe vida
Longe de quem eu me tornei
E se posso voltar
Eu nunca saberei
Porque eu não quero saber
E não quero voltar a ser
Ninguém
Desculpe-me.
Sobre o autor:
ruhtrA gosta de água com gás e limão
Esse é um lembrete
Ana Beatriz
para quando não estivermos na mesma página
ou naquela calçada,
para quando você me encarar de longe
e eu não te desejar tanto assim,
para quando o tremor dos carros no asfalto na verdade me lembrarem
que meus olhos ainda fecham
e quando o cheiro cinzento me recobrar os sentidos
esse é um lembrete
de que você não me tem
e eu também.
Sobre a autora:
Ana Beatriz é autora de “Se você pudesse me ver”
Labirinto
N.
Estorvo da alma,
Pensamentos flutuantes,
Pudera eu falar-te em primeira pessoa,
Diria como penso ter um caráter avesso a predicados…
Levanto-me, sento-me, reflito:
Estar mal disposta, e portanto inclinada à metafísica.
Que saberia eu de metafísica?
Indigna.
A realidade por uma janela
André
I. A mancha e a janela
Orfeu acordou e contemplou o teto.
Era o mesmo de sempre, uma visão amarelada com uns descascados aqui e ali, e a grande mancha negra bem no centro.
Ele olhava pra ela e ela olhava de volta. Via ela em toda sua completude, conhecia sua escuridão e suas sinuosidades, porque no fundo sabia que ela era a única coisa que poderia conhecê-lo de verdade.
Se mexeu na cama para confirmar se ainda estava vivo, e depois de ter sua certeza, levantou.
Caminhou lentamente até o seu lugar de direito. A cadeira frente à janela.
Uma cadeira de madeira simples, com uma perna levemente encurtada, frente a uma janela mais simples ainda. Um quadrado perfeito cuja diagonal nunca poderia ser precisamente calculada.
Toda vez que ele se sentava ali sentia a mesma paz.
Se via livre dela, por mais curto que o tempo fosse, e também era livre de si.
Por meio das janelas pelas quais sua alma fugia pouco a pouco, ele estava liberto de toda a sua realidade.
A noite ruía lá fora.
Não a noite verde ou a azul, a noite negra.
Mesmo do conforto de sua cadeira frente à janela no topo de sua torre inalcançável, ele podia sentir a brisa gelada que assolava o mundo janela afora. Alguns poucos insetos cantavam timidamente, como se com medo do que a neblina pudesse esconder. 1,2,3; 1,2,3 ele tercinava pra frente e pra trás em sua cadeira enquanto tinha visão alta de tudo.
Parou sua música quando um som em específico chamou o seu ouvido. Um murmúrio nada natural que fez um corte limpo e profundo na tristeza da noite.
Os insetos se calaram e ele pode se concentrar no som até finalmente entendê-lo: era uma risada! Quanto tempo fazia desde que ele não tinha a oportunidade de sequer pensar nesse tipo de alegria, quanto mais ouvi-la?
Cerrou os olhos a fim de distinguir na escuridão quem dava forma a esse canto, e viu uma figura bem no meio da rua reta que se estendia sem fim para ambos os lados. Era uma moça, envolta em um manto mais escuro que a noite, e que brincava e ria com um pequeno embrulho em seus braços.
Coberto com um tecido cor de sangue, um bebê sorria e gargalhava a cada toque da mulher, e os ecos de suas risadas foram sentidos nas fundações imaginárias da torre de Orfeu.
Ele não pode deixar de se comover com a cena, e em um momento de alegria despreocupada e felicidade por poder presenciar tal cena, soltou um suspiro de alívio.
Então ela parou.
A dama da noite se levantou de supetão e toda a alegria foi silenciada. Orfeu abafou um grito com as mãos quando se deu conta de seu descuido: ele fora percebido.
Ela fitou Orfeu com olhos que perfuraram todas as barreiras atrás das quais ele achava estar seguro, transparente, inexistente, e olhou em sua alma.
Ele se imaginou nu enquanto sentia o olhar dela percorrer cada centímetro de si por dentro.
Sentiu quando seus olhares se cruzaram, e observou os belos olhos verdes que o examinavam com tanto afinco. Viu quando suas mãos cor de sol se agarraram ao seu manto enquanto sua feição se transformava, sem cortar contato visual por um instante que fosse.
Onde antes havia uma bela dama com a silhueta esculpida no contorno da noite, um homem se estendia imponente, com sua forma contrastando com o horizonte. Seus olhos ainda o observavam enquanto Orfeu deixava de sentir desespero e passava a se sentir desconcertado. Com um olhar verde de piedade, o lindo homem aconchegou o embrulho em seu peito e avançou em direção à praia que a neblina agora revelava.
Desapareceu em silêncio no mar, ao som do rebento das ondas.
Logo a neblina varreu a realidade novamente, e sem que soubesse como, Orfeu já estava deitado.
Ele contemplou o teto e dessa vez viu estrelas.
Pensou que finalmente obteria seu descanso, mas as estrelas então deram lugar a um par de olhos verdes que o perseguiriam em qualquer sonho.
II. Sob o peso do céu
De onde estou, consigo ver Orfeu. Preso no topo de sua torre rodeada de seus sonhos, ainda aguardando por um amanhã que nunca vem.
Ele permanece em sua janela, observando o horizonte e tecendo a realidade a seu bel-prazer. Totalmente alheio ao que acontece aqui embaixo.
Ele nunca saberá que enquanto ainda anseia pelo toque das marés, a linda moça e o belo homem partiram, de mãos dadas.
Que mesmo enxergando apenas o que ele quis ver, seu controle começa e acaba dentro de si.
Que o peso do céu nunca será tirado de suas costas por mão alguma, pois foi ele mesmo quem o colocou.
Digo pois eu vi
Vi quando ainda sonolento ele pulou de sua janela em direção aos céus.
Dançou por entre as nuvens e estrelas, como tantas outras noites também fez desde que se prendeu naquela torre.
Orfeu vive e viverá prisioneiro de grilhões feitos de sombra; Desapareceriam ao menor presságio da vinda da luz, mas a essa a entrada na torre não foi permitida.
Logo pela manhã ele retornou ao quarto e se posicionou em sua janela como se nada tivesse acontecido.
Olhou o amanhecer sobre as águas e lamentou que nunca poderia sair para tocá-los.
III. (Nada será como antes)
quando eu olhar pro teto do meu quarto e ver estrelas, ainda vou me lembrar do seu olhar
vou sentir todos os lugares por onde você passou formigarem
apenas lembranças marcadas em meus ossos
a linha nunca vai ser cortada, isso é maior que nós dois
mas a fragilidade da sua torre é suficiente para nos apartar pra sempre
e de manhã estarei sozinho novamente entre quatro paredes, uma cadeira, uma janela e duas mãos vazias
não sei quem eu era antes de mim, mas me tornarei algo diferente
e digo antes de mim pois você nunca existiu fora daqui
vai retornar pra ideia de onde não deveria ter saído.
内心孤独 (nèixīn gūdú)
Aiber Antunes
Uma imagem me vem à mente: um senhor chinês traduz porcamente para o inglês um belíssimo poema escrito em mandarim, e recita-o a um cavalheiro britânico em sua presença. O chinês deixa ser perdida, na tradução, toda a nuance que sua língua materna carrega em seus tradicionais ideogramas. Ao final, o que os homens têm é uma tentativa frustrada de transladar o texto original a um lugar de compreensão comum a ambos, estrangeiros que são um ao outro.
Mas é impossível, a tarefa. É impossível.
Triste é a condição do senhor chinês.
Andanças
Parte I
Goularte de Almeida
Dois corpos. Um busto alto sob uma pesada cabeça ornamentada de uma negra e longa cabeleira. Braços que alcançam abaixo da cintura, pernas de fortes músculos, pés tortos. Dois pulmões, dois rins, apêndice retirado. Um útero, Síndrome do Ovário Policístico, duas manchas roxas na barriga. Um vestido branco e curto, um boné preto, dois brincos na orelha direita, apenas. No rosto, algumas espinhas, os olhos levemente inchados — são ainda 8 horas. Um busto alto sob uma cabeça careca. Braços fortes, alguma coisa escrita em árabe no antebraço esquerdo. Uma bexiga, um intestino de funcionamento conturbado, amigdalite estreptocócita, uma próstata. Calça larga e cinza, um cigarro, dois chicletes no bolso. Uma professora e um arruaceiro, uma prostituta e um marceneiro, uma mulher e um homem — não! Nada dessas coisas! Apenas isto: dois corpos.
Me deixo aquecer pela timidez desta fogueira, sob o som das estrelas. Muito provavelmente um desses momentos n’onde o que nos atinge é um êxtase desocupado, uma espécie de sobreolhar de quem perdeu recentemente a obrigação do ofício. Tem mesmo sido cada vez mais frequente a me buscar, este insuflar-de-mim! Vê que são cada vez mais alheias todas estas reivindicações. Já não pertenço mais a nada, já sou uma qualquer coisa desencaixada, irremediável, incompreensível. Por vezes me agrada brincar, inverter as coisas, fazer convites absurdos, encontros desobjetivados, sinais dúbios — estar sempre \textit{entre}, nunca \textit{em}. Entre o homem e a mulher, o miserável e o esnobe, o gênio e o tolo, o cão e o mendigo. Estar entre por estar além, para ridicularizar, pois já não me comunicam senão sua fragilidade. Esse desencaixe, esta perversa perdição, me parece a mãe da criação. Preciso criar: como um bandido que foge em meio aos trilhos, lançado ao ensurdecer das máquinas sem o ticket de passagem, não fui eu mesmo lançado neste mundo? É preciso viver — é tudo que anseio.
Anseio viver — ó! Mas isto é criar! “Em cinco anos, fazer uma viagem” — mas cada instante dos cinco anos tem de ser vivido, com suas tensões, prazeres e dores. “Namorar aquela garota” — vejo-te já contando aos teus sobre o namoro. Mas toda a relação tem de ser vivida! Os risos, as brigas, o afeto — tudo isto tem de emergir, não há nada ainda! Assim fomos ensinados a desejar: desejamos o que pode ser enumerado, contado, enunciado — ou melhor, desejamos a enunciação mesma! E, assim, mediamos tudo por esses signos comuns, engavetamos toda a vida nessas caixinhas, suprimimos a vida para dizer que vivemos.
Nada disto, contudo, aprendi completamente. A mim sempre faltou uma parte, mesmo quando mais pertencente ainda parecia estrangeiro. Eis que agora vejo voltar-se cada momento meu a si, esta vida que se gera com uma força que me engole: a desejo ardentemente. Mas isto é criar.
Do viver, frequentemente a beleza me leva às lágrimas. Como me agradaria olhar-te nos olhos e dizer:
“Venha! Vamos criar nossa relação, nossa história, nosso caminho — eterno caminho!”
Vejo-te tão aflito, tão encaixado, quase parece inteiro. Pegasse, contudo, o menor dos martelos, deformasse-lhe um pouco a cabeça e um pouco o joelho — ó! Quão logo todo te despedaçarias, e te verias obrigado a criar: pois a morte é tediosa! E virias comigo experienciar esse mundo como uma criança sob a égide de sua inocência. É também inverterias, mentirias, brincarias e ridicularizarias: pois também não estás em nada! Rasga, eu o clamo, deste buraco no pano a roupa toda! E então também a vida se abriria a ti como um rio ao que se pula de alta pedra; e sentirias o terrível medo e gozo de evocá-la, engoli-la, fundir-se a ela como em mergulho.

Cassia Komai

Cassia Komai