Me conta, SUPERNOVA! #2

Além de editores, também cultuamos a arte em suas várias facetas. Nessa seção, trazemos algumas resenhas de obras que a equipe Supernova assistiu, ouviu e leu.


Kill Bill: the Whole Bloody Affair (2006)
Diretor: Quentin Tarantino

Esse filme é uma batalha entre a excentricidade de Tarantino e a atuação de Uma Thurman como a(s) protagonista(s). Thurman apresenta uma mulher forte e sensível que serve para contar uma história, e não apenas provar um ponto, porém Tarantino vence essa batalha com suas famosas espadas Hatorri Hanzo: cultura pop, cinematografia curiosa e narrativa não linear.

Seu caráter expositivo impede o filme de 4 horas de ser maçante, contudo, sou lembrado a todo momento que assisto um filme, banido da história e morto ao desejar imersão. Essa falta de intimidade me desagrada muito em Kill Bill, cujo significado reside no que se vê, mas infelizmente, o que se vê não tem significado.

Por: Bruno Eric

Yi Yi (2000)
Diretor: Edward Yang

Yi Yi (2000) foi o último filme feito pelo diretor Edward Yang, mas o primeiro que vi dele – totalmente às cegas -, portanto, eu não tinha grandes expectativas; isso já rapidamente mudou quando a equipe do CINUSP fez questão de ressaltar que “essa era a sessão mais importante do CINUSP desde 2019, a última vez que passou Yi Yi”.

Neste longa-metragem, acompanhamos três gerações da mesma família em Taiwan aprendendo a lidar com temas como a morte e o amor. Nesse processo, todos estão lidando com a própria solidão, alguns pela primeira vez. Vi este filme como parte da mostra “Para gostar de cinema” do CINUSP, digo isso, pois é uma ótima forma de descrever a obra.

Por: Ensolarado


3 Lugares Diferentes (1987)
Artista: Fellini

Após muito tempo só escutando bossa nova e rock americano, comecei a pegar gosto pelo shoegaze britânico. E todos esses estilos musicais pareciam pertencer a mundos tão distintos. Até eu conhecer a banda Fellini. Uma banda com uma pinta de São Paulo (com todas as implicações).


Com um som de “bossa pós-moderna” ou “samba rock”, se destaca dentre as bandas da cena brasileira da época com uma proposta nada séria (e, ao mesmo tempo, hiper-mega séria) sobre o que é música. Com essa visão, faz um som que é a mistura do ritmo da bossa com elementos do rock, amarrando tudo com a distorção (característica) do shoegaze – algo muito interessante e gostoso de escutar.

Do álbum, destaco a música Teu Inglês, que tem um som mais pseudopop que gosto muito.

“Deixa eu ver esse samba maluco da rapaziada do grupo Felline. A rapaziada esta brincando bastante, ninguém ganha nada, não tá vendendo nada, não tá legal mas nós estamos dando muita risada”

Por: Triz Persoli


MELTING MOMENT (1992)
Artista: POiSON GiRL FRiEND

Ouvi este álbum pela primeira vez 4 anos atrás, enquanto ia para a escola, por recomendação de um amor não correspondido e, até certo ponto, impossível: o dia tinha acabado de começar e, conforme ouvia, percebi que o frio de agosto já havia minado qualquer chance de se sentir feliz.

nOrikO – cantora, compositora, produtora e DJ – nasceu no Japão, cresceu no Brasil e fez esse álbum após ter passado um tempo na Europa; uma fusão de trip-hop, ambient e synthpop, MELTING MOMENT te convida para um mundo etéreo, eletrônico e frio. Destaco as músicas Hardly Ever Smile (without you) e Quoi.

“You took the part that once was my heart, so why not take all of me?”

Por: Ensolarado


O muro de pedras (1963)
Autora: Elisa Lispector

Marta depara-se subitamente com um desamor áspero porém libertador, que exigia a ela uma remodelagem, algo que a retirasse do tédio que “nem sequer comporta o bálsamo do pranto, ou a revigoradora aragem do desespero”

Vemos Marta rondar em seu apartamento, questionar manias e constatar uma peculiar falta de ser, uma indiferença que construía muros rígidos e a distanciava do ato singelo de viver.

Diferente de sua ilustre irmã, Elisa Lispector me parece mais tímida, um pouco mais conservada, com uma tristeza suave e deteriorante que escorre por sua escrita e impregna as pontas dos dedos.

“Viver era-lhe agora o mesmo que arranhar pedras de um muro; os dedos sangravam, sem que ela conseguisse inscrever nêle o mais leve indício de sua dor.”

Por: Maria Dressano


Sans toit ni loi (1985)
Diretora: Agnès Varda

O filme começa no final: Mona, a protagonista, é encontrada morta em uma vala durante o inverno francês. Em seguida, voltamos no tempo, e sua vida pregressa nos é contada através de seus encontros enquanto mulher sem teto: seus relacionamentos e fugas, empregos, busca por comida e local, e as marcas que deixa em cada um de seus anfitriões.

O começo unido ao final se apresenta quase como uma profecia, sabemos do fim de Mona, e o filme nos lembra disso algumas vezes através dos avisos dos próprios personagens, que conflitam a liberdade total com a possibilidade de viver.

“Ela é inútil, e provando que é inútil, ela joga o jogo do sistema que rejeita”

Por: Elisa Torrecilha

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