O Analfabeto Político

O poeta, ensaísta e dramaturgo, Bertold brecht, alertou no meio do século passado, que uma das formas mais poderosas de antagonizar a causa compartilhada da luta de classes, é a negação da política como validação retorica e comportamental, de uma mediocridade latente que se ancore na ilusão de transformações espontâneas. Em suas palavras o analfabeto político é:

“O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.

Com o retrato enviesado da mídia burguesa uma parcela enorme da sociedade representada pelo que há de mais retrógrado, se ancora na mentira dita mil vezes de que, a luta do movimento estudantil é algo pueril e meramente simbólico e que movimentos assim, são cooptados por interesses meramente eleitoreiros e oportunistas, no entanto se esquece que as condições socialmente impostas como senso comum, no presente, são outrora diretos advindo da luta, sufragista, antimanicomial, antirracista, trabalhista e comunista, que durante diversos períodos de nossa história, arregaçaram as mangas e foram a luta, não sob a ótica de um discurso unívoco é claro, mas em prol de um ideal, de soberania popular e universalidade dos direitos e do acesso a condições materiais de uma vida digna, sejam com canetas ou “espadas” os nossos jamais fugiram a luta.

Na ditadura empresarial-militar o movimento estudantil, com forte presença da universidade de São Paulo, foi alvo direto da ditadura, que perseguiu e matou professores e alunos, e vimos que no ato bárbaro recém perpetrado, se mostrou ainda presente no inconsciente de uma polícia reacionária sob um comando reacionário e enviesado por políticas liberais e elitistas, que adorariam uma universidade mais segregada e menos diversa, como a que pouco a pouco vem sendo obtida, com luta.

Portanto, com esse cenário de desmonte e negação de conquistas históricas, somos atingidos por um inimigo nada inédito, em suma, não há espaço para aqueles que negam a necessidade de nos posicionarmos, como um corpo estudantil, que sente as dores compartilhadas da negligência, cujo o propósito é o esvaziamento da pesquisa, extensão e permanência de alunos pobres, negros, periféricos e LGBTQIA+, precisamos com urgência sim, alinhar as pautas, se organizar e sermos veementes em nossas posições, sem recuar, sem desvanecer ou se entregar ao niilismo e a negação do papel histórico que nos é imposto. Vamos à luta!

Sobre o autor:
Douglas J. Vieira é ingressante de 2026 no IFUSP.

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