Com a chegada do mês de abril, nos aproximamos do fim da gestão da chapa CEFISMA Popular (2025/2026) e, então, acredito ser apropriado revisitamos as atividades promovidas durante esses (quase) 12 meses. Quem lhe escreve é a vice-presidente da atual gestão e, desta posição, pude observar (e participar) das diversas atividades. Venho, com meus melhores esforços, relembrá-las nesse texto (como diria Daniel Molloy, a odisseia da recordação). Aviso que este é um primeiro balanço, escrito um pouco antes do esperado, devido a mudança de prazos do Boletim Supernova (ver editorial), e baseado nos diversos arquivos da pasta “CEFISMA Popular (2025/2026)” no drive do CEFISMA.
Começamos nossa jornada em abril de 2025, com o período eleitoral. Nas eleições do CEFISMA de 2024, houve somente a inscrição de uma chapa e, então, a memória que o corpo discente tinha das eleições do centro acadêmico era de serem uma formalidade. Os debates com uma única chapa não atraiam grande público e muitos não viam o sentido de votar nas eleições em que se tinha uma única opção (além do veto).
Porém, em 2025, as eleições foram tudo menos monótonas. Com duas chapas se formando durante o período de formação de chama, o CEFISMA Popular e a Chega de Inércia, o corpo discente do IFUSP vivenciou um período marcado por muitos debates (formais e informais) sobre quais eram as demandas dos alunos para o CA (centro acadêmico) e quem eles acham que iriam cumpri-las. Depois de uma campanha cansativa, a chapa CEFISMA Popular vence as eleições com 353 votos para a chapa vencedora, 58 para a chapa Chega de Inércia e 6 vetos (uma das eleições mais massificadas da história recente do IFUSP). Em 30 de abril, ocorre a assembleia de posse.

Mesmo depois de um período eleitoral cansativo, começam a descer diversas demandas importantes que precisavam ser atendidas. Durante o primeiro mês de gestão tivemos: a paralisação pelas cotas trans dia 8 de maio, o aniversário de dois anos da reforma da biblioteca no dia 15 de maio e vários eventos para conscientizar o corpo discente sobre as eleições do CONUNE, que ocorreram do dia 3 ao 5 de junho. Todos esses eventos políticos importantes também foram somados com os eventos regulares prometidos pela chapa, o Café com Quantum, o Karaoquinta e o Boletim Supernova; e com uma assembleia dos três setores do IFUSP (alunos, funcionários e professores). Nesta assembleia, que foi agitada durante o aniversário da reforma e ocorreu dia 28 de maio, foi discutida a reforma da biblioteca. Assim, termina um primeiro mês agitado da gestão.
O mês de junho, ainda agitado, foi marcado por mais eventos locais. Neste mês, temos a apresentação de dois Cafés com Quantum, a primeira edição impressa do Boletim Supernova, uma roda de conversa sobre “ENADE (exame nacional de desempenho de estudantes), NEM (novo ensino médio) e Ensino” e o Sarau do FísicAcolhe. Faço destaque ao FísicAcolhe pois, durante este ano de gestão, o CEFISMA Popular começou a se aproximar da equipe do acolhimento do IFUSP, de tal forma a fortalecer suas atividades e ser fortalecido por elas. Assim, em alguns encontros do FísicAcolhe, o CEFISMA comprou salgadinhos, chamou alunos para participarem e esteve presente; uma política que sempre achei muito importante.

Agora, nessa nossa viagem, nos aproximamos do fim do primeiro semestre de 2025. Estamos muito cansados mas cientes que não podemos deixar a peteca cair. Para finalizar o semestre, temos um Café com Quantum apresentado pelo presidente da chapa, o Vinicius Franção (saudades tuas amigo!), um sarau julino de fechamento de semestre (com acarajé) e a atividade de extensão patrocinada pelo CEFISMA, a I Escola de Inverno Carmen Lys. Além desses eventos, a chapa faz no feriado de 9 de julho um ativo. Para quem, como eu antes de entrar para o CEFISMA, não é próximo do movimento estudantil, explico que um ativo é um evento de (normalmente) dois dias em que um grupo de pessoas passam todo esse tempo discutindo um certo tópico. A ideia é poder desenvolver as ideias com calma e sem poupá-las de suas complexidades de tal forma que o grupo sai do ativo encaminhando diversas ações e com um melhor entendimento do assunto. Nosso ativo teve duração de um dia inteiro e, de lá, pudemos entender melhor a conjuntura da USP/IFUSP, fazer um balanço sobre o mês de campanha e os primeiros meses de gestão e nos preparar para o próximo semestre.
Bang! Chegamos em Agostina. Quero dizer, em agosto. Agosto… fatídico mês de agosto. O primeiro mês do segundo semestre é marcado (adivinhe) pelos trabalhos preparatórios da festa mais tradicional da física: a Agostina. Nossa festa junina fora de época se prova, todo ano, ser uma atividade nada trivial de se preparar, como souberam bem os membros das gestões CEFISMA e AAAGW durante este mês. Depois de muito esforço e tempo vendo todos os detalhes, unindo forças com as diversas outras entidades do IFUSP, a Agostina ocorre (com sucesso) no final de Agosto (para mais detalhes, ver o texto “Agostina: do sucesso ao fracasso” da oitava edição do Boletim Supernova).

Após a Agostina, temos novamente um período muito interessante de debates no IFUSP. Mesmo a festa tendo sido um sucesso para o público, ela deu prejuízo para o caixa dos estudantes da física. Assim, houveram diversas visões dissonantes sobre o que deveríamos tirar do evento e sobre qual deveria ser nossa postura diante as próximas festas da física. Floresceu um debate muito interessante, que culminou na reunião de balanço da Agostina em setembro. Além dessa reunião, setembro foi marcado pelos eventos rotineiros: Café com Quantum, Karaoquinta e lançamento do Boletim Supernova. Além desses, o CEFISMA também patrocinou e se fez presentes no Encontro de Divulgação CIentífica promovido pelo HackerSpace e no AN(IME)², evento de Anime do IME (que eu, particularmente, sou entusiasta e vou todos anos desde que ingressei na USP – pode-se dizer que fiquei muito feliz quando soube que iríamos fazer uma colab).
Após setembro vem outubro e, em outubro, também tivemos nossos eventos canônicos e patrocinamos outros. Ocorreu as semanas do bacharelado, da licenciatura e da biblioteca; o CEFISMA tentou ao máximo se fazer presente e auxiliar com os eventos. Agora, para não me estender muito, darei destaque maior para dois eventos: a diplomação da resistência e o mutirão de limpeza Amélia Império. No evento da diplomação, foram diplomados três alunos do IFUSP que foram perseguidos e mortos durante a ditadura militar: Jeová Assis Gomes, José Roberto Arantes de Almeida e Juan Antônio Carrasco Forrastal (para mais informações ler “Discursos da Diplomação da Resistência” da décima edição do Boletim Supernova). No Mutirão de limpeza, a comissão Amélia (agora reestruturada) chamou diversas pessoas para limparem e renovarem o espaço Amélia Império, uma atividade que foi muito importante para que o espaço continuasse vivo e com atividades estudantis (para mais informações ler “Mutirão de limpeza Amélia Império” na décima edição do boletim). Finalizamos o mês com o HALLOWIF ROCK & FEST, um show de bandas de rock que aconteceu no Espaço Amélia Império (agora limpo e ainda mais lindo) durante o dia 31 de outubro.


Em novembro, começamos a nos aproximar tanto do fim do segundo semestre quanto do fim do ano. Neste mês, temos nossos eventos canônicos, organizamos a eleição para representante discente (que ocorreu no começo de dezembro) e começamos os primeiros grandes eventos de organização da semana de recepção dos calouros de 2026 (com o lançamento do edital do concurso artístico). Em dezembro, com o final do ano, o CEFISMA ainda faz duas ações: patrocina a ida do Coletivo Sônia Guimarães para o I Workshop de físicas(os) afrodescendentes brasileiras(os) e americanas(os) (I WAFABA) e promove churrasco com funcionários, terceirizados e alunos (a terceira edição dessa confraternização de fim de ano!).
O resto do mês de dezembro é marcado por descanso. Um descanso que é logo acordado em janeiro com a organização da semana de recepção, que já estava batendo na porta. Apesar da semana ser no final de fevereiro e mesmo com os preparativos já tendo começado desde o final de setembro, ainda tinha muito trabalho pela frente. A organização da recepção, esse ano, foi marcada por um maior diálogo entre os alunos e a instituição (muito devido aos esforços dos alunos da comissão, da funcionária Maria Izabel e do professor Suaide). O CEFISMA Popular se fez presente muito na organização, correndo atrás de resolver problemas e propondo atividades. Este ano, a recepção foi um sucesso, sendo um avanço significativo com relação a edições anteriores, com inúmeros eventos (que podem ser vistos no calendário da semana de recepção no instagram do CEFISMA), com uma gincana muito legal e um kit (brinde) para os alunos contendo uma ECOBAG, um livro da EDUSP e muito mais.

Logo em seguida começa o mês de março (também conhecido como o mês anterior a este). No mês de março, a gestão voltou com suas reuniões semanais, começou a pegar o ritmo do semestre e a se preparar para o fim da gestão. De eventos neste mês, destaco o “Girls Night” em que foi exibido o filme “Persépolis” (2007). Porém, como você, querido leitor, já deve saber, as atividades de fim de gestão tiveram que ser interrompidas para que déssemos espaço para a importante questão da minuta dos espaços estudantis e da gratificação por atividades complementares estratégicas (ver o outro texto nesta edição para mais informações). Assim, a última atividade da gestão, até o momento, foi a organização das discussões sobre a paralisação do dia 14 de abril.

Terminamos nossa viagem. Aqui está o um ano de CEFISMA Popular. Para escrever esse texto, revisitei muito material disponível para tentar lembrar de tudo e filtrar o mais importante e, vendo tudo que fizemos, fiquei com o sentimento de dever cumprido. Durante o dia-a-dia, sou consumida pelo sentimento de que nada acontece, de que todas as reuniões e todo o estresse não se acumulam em nada. Olhando tudo na sua completude, o sentimento perde força. Cresci muito nesse ano de CEFISMA, aprendi ainda mais sobre o Instituto de Física, conversei com muitas pessoas e criei uma nova resistência para aguentar reuniões longas. Revisitei a carta programa da chapa (disponível no instagram @cefismapopular) e, apesar de que não fizemos tudo que visionamos num período de um ano; sinto que com os recursos que tínhamos (e, lembrando, que ainda tínhamos que fazer graduação, pós-graduação, dar monitoria, entre outros), nos mantemos verdadeiros ao nosso projeto. Não negarei nossas falhas, carrego duas principais questões: nossa falta de atuação com a física-médica e com a licenciatura. Poderíamos ter sido mais presentes, não cumprimos com nossos objetivos estabelecidos para nossa atuação com as particularidades destes cursos. Temos que reconhecer nossas falhas, entendê-las e agirmos a fim de melhorarmos. Apesar disso, espero que os demais alunos do IFUSP sintam que fizemos um bom trabalho, no fim do dia o que fazemos é a serviço da comunidade IFUSPiana. Agradeço pela confiança, tanto do pessoal que me chamou para compor a chapa quanto dos discentes do IFUSP; espero ainda vê-los pelos corredores.

Sobre o autor:
Triz Persoli é vice presidente da chapa CEFISMA Popular, entrou no IFUSP em 2023 no bacharelado em física e vai ser formar no final deste ano. Triz foi RD (representante discente) da CG (comissão de graduação) em 2024 e 2025 e atualmente é RD do CTA (conselho técnico administrativo). Também gosta muito da série Entrevista com o Vampiro, está enlouquecendo com a lista da disciplina Teoria de Categorias e faz aniversário dia 14 de abril (que data!).