Me conta, SUPERNOVA #6

Além de editores, também cultuamos a arte em suas várias facetas. Nessa seção, trazemos algumas resenhas de obras que a equipe Supernova apreciou.


Coyote x Acme (2026)
Direção: Dave Green

E se o problema do Coyote nunca tivesse sido pegar o Papa-Léguas, mas acreditar que o próximo produto da Acme finalmente faria isso?

Pois bem, o filme que chegou recentemente aos cinemas, Coyote x Acme, já nos começa com essa questão interessante: a piada nunca foi sobre o fracasso do produto Acme, mas em como o Coyote, sempre disposto a pegar o Papaléguas, jamais encerrou a relação de consumo.

A Acme pode falhar lindamente, mas ainda assim, o Coyote segue comprando. Mas porque será que ele decidiu processar a Acme mesmo assim? Fica o questionamento e o convite a acompanhar nos cinemas.

Por: Camila Leite


Uototogoka (2026)
Artista: D$ Luqi

Uototogoka é a dissecação do âmago do rapper D$ Luqi como ativista, artista e pessoa, e acredito ser um dos álbuns mais tocantes que já ouvi na minha vida.

Primeiramente, esse álbum não tem somente letras lindas, mas também é musicalmente incrível e diverso. As produções são absurdas e realçam a variedade vocal e temática do Luqi, que apresenta uma das melhores performances da carreira.

As músicas desse álbum se concentram em temas diversos, pautando, por exemplo,
violência policial, negritude, cena atual do rap, relacionamentos abusivos, traumas, relações familiares e mais. Isso torna o álbum, ao mesmo tempo que profundamente emocional, também muito político e filosófico (principalmente na faixa “Teoria da bondade inata”), tornando cada música em um bufê musical maravilhoso.

Por: Gregory, diretor acadêmico do CEFISMA.


Christine (1987)
Diretor: Alan Clarke

Neste filme, acompanhamos pré-adolescentes britânicos vivendo seu cotidiano — que contrário do nosso, envolve o uso constante de heroína. Assisti este filme na amostra do CINUSP “Não Quero Ser Grande” sem saber muito sobre e foi uma boa surpresa — recomendo a todos irem no CINUSP sem saber qual filme esta passando.

Um amigo meu comentou que o que é mais chocante não são as crianças usando heroína em si mas a cotidianidade da situação, concordo plenamente. O filme é gravado como outros filmes sobre o cotidiano, trabalhando com os silêncios e com as repetições e, por alguns momentos, é normalizado para nós. Essa é a vida dessas crianças e elas vivem isso todos os dias e no sábado elas vão ter uma festa tal como a sra. Dalloway. Até que somos voltados para o absurdo da situação com a cena final — e é tudo desesperador novamente.

Por: Triz Persoli

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