Aprecie algumas obras de artes produzidas pelos alunos do Instituto!
Sem título
Luiz G S Almeida
Caro Dr. Murilo Mendes,
Escrevo-lhe para lhe acalmar. Fui recentemente informado por um amigo que o senhor se encontra transtornado e muito preocupado com meu estado, que pressupõe minha insanidade, e meu desaparecimento lhe tem tirado noites de sono. Peço perdão por isso. Sou como todos os homens, que, uns mais, outros menos, nunca sabem com plenitude medir a dimensão do próprio corpo.
Mas acredite, Dr., que há muito sei dessa sua agonia. Não tive, contudo, nenhuma vontade de escrevê-lo até agora. Creio que desaprendi a escrita. Antes: creio que nunca a soube. Quem sabe por isso o exortei exageradamente com meus textos. Não sei escrever por ser um mentiroso, Dr. Mendes. Sim! Ah! Como minto! Minto muito, e pior – minto para mim mesmo. Assim andei crendo estar um pequeno passo à frente rumo a libertar-me do meu maior pesar. Mas ontem a noite, pouco antes de deitar-me, senti pesarosamente um amargor blasfemoso: gritei então contra todo meu saber e cuspi no túmulo de minha perspicácia. Mas aprendi recentemente que quem se sente mais perdido de uma verdade, está por isso mesmo o mais preso possível nela. Pois não é isso, Dr. Murilo: quem mais teme o Pai que aquele que tem mais culpa?
Leia e releia, meu amigo cientista, e ainda assim não encontrará nada de proveitoso em todas essas palavras. Sou um religioso romântico, um louco que se orgulha da própria lucidez: em parte te culpo por nunca me ter matado. Pois mesmo descobri que somos todos animais acuados, e eu sou o pior deles, o mais baixo! Como não seria, se nunca pude aceitar o refúgio? Pintei meu refúgio de amarelo, acendi uma fogueira em minha toca, em minha caverna! E eu mesmo projetei minha sombras e figuras, e fiz de mim mesmo prisioneiro: fora daqui tudo o que há é necessário amar. Mas eu já amo aqui, Dr., eu já amo aqui! “Amar aqui é desabar, é se enojar e não odiar” – e eu não sei?! Mas este demônio: com que forças enfrentá-lo? Quem é capaz de amar as próprias lacerações, que tome o chicote!
Sou um peregrino do deserto. Mas sou peregrino doente, ainda não estou pronto para o caminho do deserto. Ao cair da noite, me ajoelho e choro em alegria, porque amo o declinar do Sol, amo que o claro se torne escuro, e tanto mais quanto mais
instantaneamente se torne. Mas logo o choro se torna pranto: pois meus dentes batem com o frio paralisante das madrugadas, e meu couro não suporta os causticantes dias.
Ainda temo demais, ainda erro demais, vagueio demais. Me enojo demais. Ainda não aprendi a odiar: por isso mesmo não sei amar. E quando me senti mais destruído: aí mesmo me deveria ter mantido, aí mesmo deveria ter mergulhado. Mas ainda preciso de um pouco deste ninho, deste afeto materno. Não estou pronto ainda para velejar, estou ainda me construindo nau.
Não há nada aqui que me prenda, Dr. Murilo. Não pretendo ficar aqui por muito tempo. Não se engane, estou falando deste lugar, não desta vida. Peço que não te preocupes mais comigo, nobre senhor. Se me permitir Deus, continuarei vivo por muitos anos ainda. Quando eu amar meu inimigo ele se desfará, doutor, porque é um inimigo indigno. Quando eu amar, então terei aprendido a odiar, e farei bons inimigos.
Com amor, R.A.
Sobre o autor:
Luiz é bacharel em Física e queria muito uma RD350.
arte Morta
Steps
escrevo e Se foram.
estes Sentimentos se foram, rios.
sangraram da Alma eSSenCialmente
nestes vazios vios…
Corpos Frios e Buquês de Flores
estão enFeitando a sala.
Buscando cada dia mais Cores.
E amores,
porque é da minha Arte
que REeXisto à morte da Aorta.
Que traz Saudade nos versos das regalias.
Esses que não vieram de nada
sutil.
Mas aparecem um pouco nas entrelinhas. Ou nas rimas, recortes e tudo que é
fútil.
O poder fugir em lares noturnos,
nas imagens dos cinemas mudos
e nas piscinas de águas surdas.
hoje, tudo
me fugiu.


