Aprecie algumas obras de artes produzidas pelos alunos do Instituto!
pela fenda
andré
Luísa não voltou pra casa aquela noite. Nem voltaria a ver nenhum de seus amigos, familiares ou conhecidos. Por ter andado muito perto da fenda, ela se perdeu pra sempre.
Em breve seria como se ela nunca nem tivesse existido.
Seu quarto seria engolido entre as paredes da sua casa; as pessoas que a conheceram simplesmente a esqueceriam, como alguém se esquece do rosto de um desconhecido que vê de relance; e todos os registros por escrito de seu nome completo se tornariam inteligíveis. À primeira vista, seria como tentar ler uma palavra inexistente em um idioma morto e com um alfabeto criptografado, mas logo, a mente humana, incapaz de conceber a não-existência daquela sequência específica de carácteres, reconheceria apenas um borrão. Um artefato. Um ruído. Um erro.
A fenda por onde ela escorregou também não seria encontrada. Era um vazamento que nem deveria ter existido. Algo que só aconteceu pois, embora a probabilidade daquilo surgir fosse inimaginavelmente remota, não era zero.
No dia seguinte, já não existia mais lembrança ou resquício qualquer daquela coisa que vazou por aquele lugar. E o mundo seguiu normalmente.
Quero dançar com você, até que os olhos mudem de cor
Evelyn
O desconhecido um dia se apresentou, de maneira tão constrangida e invasiva. De passo em passo, engatamos em uma dança sem nenhum convite formal. Tudo novo, nada antes ensaiado. Fluiu de maneira singular. Cada movimento foi descoberto gentilmente, com sincera surpresa. Em nosso primeiro tempo, nos tornamos conhecidos um do outro e daquilo que pouco a pouco criamos.
O conhecido deixou-se cativar por essa coreografia tão breve, mesmo sabendo ele que não duraria mais do que uma noite. Fez juras de amor, prometeu que ficaria. Em resposta, deixei-me cativar. Concedi permissão de se fazer rotina, fraca por promessas visivelmente efêmeras. Em seu cotidiano, aproveitei cada segundo lentamente, em sua estante.
Foi tão encantador fazer parte de um repertório desconhecido, até o primeiro erro. Descompasso seguido de descompasso, sem previsão nenhuma de uma nova sintonia. Te disse carinhosamente: Não deveria ser assim, deixe que seja leve, se dê essa permissão. Em um instante de tempo, você se foi. Sem explicações. Nem súplicas.
Chegou então o dia em que o desconhecido se apresentou novamente. Mas diferente de outrora, agora já conhecia cada passo seu. Seu nome, seu endereço, sua história. Também seus péssimos hábitos. Me pediu uma segunda dança. Dessa vez completamente ensaiada e previsível.
Apenas deixe acontecer. Nossa última dança, nosso último tempo. Nosso último beijo ensaiado, nossa última performance. E enquanto dançamos, deixe que eu vá e eu deixarei você ir também. E tudo ficará bem para nós dois. Mesmo irregulares e totalmente fora de ritmo, deixe esse ímã te guiar tardiamente.
Quando você for embora, não será somente a segunda vez, mas também a última. Fecharemos hoje essa porta. E quer saber? Eu gosto da música, eu gosto da inconstância. Você pertence a você. Eu pertenço a mim. E jamais seremos um do outro, exceto pelas memórias, que somente eu e você conhecemos. Se desprenda disso. Deixe que a nossa foto em sua carteira se vá. Eu esquecerei seu livro preferido. Esqueça meus medos de infância. Eu esquecerei o nome dos seus animais de estimação. Passo a passo, sem nenhuma pressa. Sim, ainda me lembro que você odeia azeitonas. Ainda se lembra dos ingressos que compramos juntos?
Você me pede que olhe em seus olhos, mesmo que isso signifique perder todo o andamento da coreografia ensaiada do adeus. Eu olho. E simples assim: seus olhos mudam de cor e já não encontro as pupilas. Mas isso me traz calma, vejo a permissão que precisava para partir.
E no último acorde, antes que você se desprenda de mim, eu me deixo ir, sem nenhum aviso prévio. Compreendo que não sou capaz de fazer parte da sua maneira egoísta de querer. Não sou dúvida, não sou segredo.
Ao fim da noite, você decide, você parte.
E fim.
A sombra de Yonia
Francisco M Neto
Posicionada estrategicamente no equador, Cydonia era a capital de Marte e da Humanidade. As torres da cidade pareciam espinhos, emergindo da superfície em fileiras cada vez mais altas, em direção à torre central, que abrigava o Tribunal das Cláusulas Pétreas. Azuis na base, douradas no alto, com a névoa leve da tarde envolvendo os níveis mais baixos.
Em direção às áreas mais periféricas a cidade ia ficando mais baixa, até terminar nas vizinhanças mais externas, onde a urbanização ainda era incompleta e as ruas de terra conviviam com os veículos modernos e a iluminação artificial. Ali a vegetação praticamente não existia, e os areólogos diziam que ali o chão era o mais próximo do que era o solo marciano antes da Chegada.
Atravessando a cidade, a rede de canais que trazia água das plantas de tratamento alimentava a metrópole e ao mesmo tempo carregava sua carga preciosa até as regiões mais interiores. Cada litro era contabilizado. Cada movimento das comportas, calculado até o último algarismo significativo.
Os canais eram mais antigos que a memória. Muitos deles (a maioria) era de antes mesmo de Cydonia; a sua construção fora uma conquista gigantesca de uma espécie que, sem opções, fez daquele planeta o seu lar. Relíquias de uma época que definiu a sociedade como ela era conhecida, eles permaneciam ali, um monumento à conquista humana, pontuados com estações de monitoramento e controle que garantiam o uso racional da água.
Sentado no concreto morno na beira do canal, próximo à estação onde trabalhava, Sael sentava com as pernas penduradas. A água passava a menos de um metro da borda, e por isso seus pés ficavam a vários centímetros da superfície. No seu colo, ele segurava um pacote com almoço para dois. Pão de algas e pasta de grãos, um almoço simples, mas ele não fazia isso apenas pelos nutrientes; a companhia era importante também.
O canal passava baixo, largo e silencioso. Gigante e incompreensível, quase como se não fosse obra humana. Àquela hora, as luzes de Cydonia caíam oblíquas sobre a superfície da água, quebradas pelas hastes finas dos salgueiros da margem e pelos cabos suspensos das comportas.
Ele olhava para a água, como se esperasse que ela lhe devolvesse alguma coisa.
Deixou cair alguma coisa? – disse Nara, se aproximando por trás, esguia e silenciosa.
Ainda sentado, Sael girou o corpo para olhar para trás, fingindo surpresa.
-Oi pra você também. Já estava ficando preocupado.
-Eu me atrasei porque precisava ter certeza que ninguém ia me ver sair. Te prometo que vale a pena.
Sael ficou curioso.
-Como assim?
-Calma aí, eu estou com fome! Abre logo esse pão – disse Nara, sem esperar que o amigo respodnesse e tomando o pacote das mãos dele. Abriu, arrancou um pedaço do pão e passou pela pasta. Sentou-se na beira do canal e o levou à boca, mastigando com vontade e sentindo o sabor dos grãos na pasta se misturar com a fibra das algas no pão.
-Hmmm… agora sim. Que foi?
Sael a olhava com o rosto fechado, visivelmente contrariado. Lentamente, repetiu o movimento e também começou a comer. De boca cheia, disse:
-Vai me contar ou não?
-Tá bom, tá bom… – disse Nara, se divertindo com a situação. Ela saboreava o mistério tanto quanto os grãos da pasta. Virou a bolsa, que estivera pendurada nas costas, para que ela ficasse no seu colo. Abriu o zíper e retirou um embrulho de dentro.
-Olha isso – disse.
Sael pegou o pequeno embrulho e ficou olhando, curioso. O papel não era nada demais; um embrulho usado de uma peça de reposição. Quando finalmente olhou o conteúdo do pacote, ficou confuso.
-Não entendi… o que é isso aqui?
-Essa é a grande pergunta, né! Eu não faço a menor ideia – disse Nara.
Era um objeto decididamente curioso. Sael o pegou com cuidado, os dedos finos passando facilmente pelo aro, que parecia feito para uma mão mais larga. Virou-o para cima e para baixo, mas aquele formato não fazia sentido nenhum.
-Nunca vi nada igual. Esse material é estranho, esse formato não tem utilidade nenhuma… onde você achou isso?
-Então. Sabe como toda vez que uma tubulação levanta um alarme de fluxo, é sempre algum filtro com defeito?
-Sei.
-Hoje de manhã eu cheguei e tinha um alarme desses. Acho que estava ativo há um tempo, mas sabe como é o pessoal do turno da noite… se eles puderem deixar pro pessoal que chega de manhã, eles deixam. O fluxo estava normal então o cretino do Niva não fez nada. Daí lá fui eu me paramentar e descer até a caixa de válvulas, no nível zero…
Sael deixou sair um suspiro.
-Bah, eu sei como você ama o nível zero.
-Pois é. Enfim, sorte a minha. Eu desviei o fluxo e abri a caixa pra trocar o filtro e… encontrei isso. O filtro estava sujo mesmo, acho que porque esse treco aí ficou no caminho e o fluxo ficou turbulento em vez laminar. Então eu troquei o filtro e mandei o filtro velho pra reciclagem, mas em vez de mandar a embalagem eu usei ela pra guardar a coisa. Eu demorei porque precisava ter certeza que o pessoal do processamento não ia dar falta da embalagem… sabe como eles são chatos com isso.
-Sei.
Os dois ficaram em silêncio por alguns momentos. O objeto ainda estava nas mãos de Sael, que não sabia o que fazer com aquilo.
-E o que você pretende fazer com isso?
-Eu sei lá! Nem sei o que é, nem pra quê serve. Não é como se fosse útil pra alguma coisa, ou alguma obra de arte ou coisa assim. Só sei que é muito, muito velho. Afinal ele veio pela tubulação, que vem direto do canal. Então ou ele estava no próprio canal ou foi carregado de algum outro lugar, e por aqui… isso teria que ser o Oceano Boreal, né? Você entende mais de hidroareografia que eu, então imaginei que no mínimo você ia conseguir dizer de onde veio.
-Monte Olimpo, Nara! Respira um pouco. Falar tanto só vai te desidratar. Eu concordo que é um objeto interessante, mas calma, isso não vale a sua água.
Nara torceu os lábios, mas ficou quieta. Pegou mais um pedaço do pão, passou na pasta e ficou ali, ruminando, olhando para o objeto.
Finalmente com um pouco de sossego, Sael tentou reconstruir qual teria sido o trajeto daquele objeto, pensando nos fluxos hídricos entre o ponto onde estavam e o Oceano Boreal, milhares de quilômetros a norte dali. Olhou novamente para aquele objeto; tinha hidrodinâmica muito ruim, então resistiria ao fluxo. Mas também tinha bordas muito marcadas, e se não fosse a erosão seria bem possível que, pontudo como era, teria sido capaz de riscar a sua pele.
Sael tinha uma mente razoavelmente lógica e ele era muito bom em imaginar fluxos; não era à toa que acabara se tornando controlador de canais. Olhando para aquele objeto ele era capaz de visualizar como a água teria fluído ao redor dele, aplicando força e torque, fazendo com que ele se deslocasse desordenadamente ao longo do trajeto.
-Arrisco dizer que sim, seria possível ele ter vindo do oceano… – começou a falar.
-EU SABIA! – Nara mal pôde se conter, exclamando sua satisfação e se arrependendo imediatamente. Ela voltou a se sentar, olhando em volta. Quando seu olhar se voltou a jusante do canal, ela congelou e seus olhos se arregalaram.
Um veículo de inspeção passava devagar pela margem oposta, sem rodas, suspenso poucos dedos acima da via de serviço. A luz amarela girava no topo, sinalizando que ele estava ativo e executando alguma tarefa de manutenção. Mesmo não sendo areólogos, Nara e Sael sabiam que aquele veículo, e os dois técnicos que andavam atrás dele conversando, estavam fazendo medidas de estabilidade do terreno. Essas varreduras garantiam que as laterais no canal não cederiam, comprometendo o fluxo de água.
Sael percebeu que Nara havia se retraído e, ao ver o veículo na margem oposta, reflexivamente jogou o objeto na água. O que quer que fosse, nenhum dos dois ia querer ser pego com aquilo.
Os dois continuaram comendo seu almoço, quase sem reagir, esperando que o veículo passasse logo. Os segundos se arrastavam como lama; o veículo andava devagar, e um medo irracional tomou conta dos dois.
Um dos técnicos os viu, sentados na beira do canal, e sinalizou. Sem saber o que aquilo significava, Nara sinalizou de volta, usando a mesma mão que segurava o pão de algas. O técnico gritou algo de longe, que os dois mal conseguiram distinguir do ruído que a água fazia, passando abaixo deles. Julgando pela linguagem corporal, ele só havia cumprimentado os dois amigavelmente, desejando um bom almoço; Sael não podia evitar sentir raiva daquele técnico simpático. “É, estamos almoçando, que novidade. Vai embora logo, saco”, pensava ele.
Finalmente, depois de um minuto que se arrastou até parecer uma hora, os dois técnicos e seu veículo estavam longe o suficiente, e Nara e Sael finalmente deixaram a tensão baixar.
Nara respirou fundo, com alívio.
-Ufa… Achei que eles iam querer ficar perguntando o que estávamos fazendo aqui… Bom, você dizia, que ele poderia ter vindo do oceano. O que mais?
Só então Nara percebeu que Sael estava caído no chão, as pernas ainda penduradas no canal. Seu tronco estava caído para trás, seus olhos arregalados na direção do céu.
-Sael? Sael!!!
O desespero começou a tomar conta de Nara. Ela não sabia o que fazer. Começou a pensar no que diria quando alguém chegasse e visse aquilo, quando Sael finalmente tossiu e rugiu, soltando o ar como se tivesse prendido a respiração por 15 minutos.
Ele se debatia e erguia os braços, como se estivesse tentando puxar o ar de dentro à força. O rosto desesperado tentava gritar, mas a passagem dos gases pela laringe não deixava que as cordas vocais se fechassem o suficiente para emitir qualquer som.
Nara, já em pânico, tentava controlar o amigo, segurando gentilmente seus braços e massageando seu tórax. Sael finalmente tossiu, com uma expressão intensa de dor no rosto.
Os dois ficaram ali, Nara com a cabeça de Sael no seu colo, por alguns minutos, até que ele se recuperasse.
-Desculpe, Joguei o treco na água.
-Tudo bem… era melhor que alguém encontrar a gente com aquilo. Não quero nem imaginar o que ia acontecer se pegassem a gente com aquilo…
-Mesmo assim. Não era pra eu ter entrado em pânico. Não sei o que deu em mim.
-O que aconteceu?
-Não tenho certeza. Tomei um susto quando eu vi aqueles técnicos vindo na nossa direção. Mas não imaginei que fosse ter alguma reação somática só depois de sentir alívio.
-Será que tem a ver com aquele objeto?
-Duvido. Eu teria sentido algo na hora, não?
-Pode ser. Mas talvez a reação tenha atrasado pelo susto de ter os técnicos chegando. A adrenalina pode ter atrasado alguma transmissão de sinal ou coisa assim.
-Pode ser.
-Você está melhor?
-Ainda dói um pouco pra respirar, mas acho que sim.
-Parecia que você estava com falta de ar.
-Acho que foi o contrário.
Nara ficou confusa. Desde quando ar demais seria um problema?
-Como assim?
-Não sei explicar. É como se de repente meu corpo tivesse ficado pesado demais. Como se alguma coisa me puxasse para o chão, como se eu estivesse amarrado num foguete. E o ar entrou nos meus pulmões com toda força – disse Sael, colocando a mão no peito. – Acho que vai ficar doendo uns dias ainda.
Ele se levantou, com dificuldade. Era como se o peso ainda estivesse sobre ele. Seus ossos sentiam a tensão do esforço de se levantar, como se carregasse duas pessoas nas costas.
-E o que vocẽ me diz da outra pergunta? – disse Nara, tentando desviar do assunto e recuperar a conversa de antes.
-Não sei. Teoricamente, sim, é possível que aquilo tenha vindo do oceano. Mas teria levado um tempo enorme pra chegar.
-Quanto tempo?
-É difícil dizer. Os fluxos hoje em dia são regulares, mas eles nem sempre foram assim. Milhares de anos, acho.
-Milhares?!
-É. Talvez já estivesse lá quando as águas começaram. Vai ver, é só uma pedra que a água foi esculpindo com o tempo. É improvável, mas um fluxo turbulento poderia fazer isso.
-Não pode ser.
-Como assim?
-É que eu não encontrei só uma peça. Encontrei duas. Olha.
Nara tirou da bolsa um segundo pacote. Uma segunda peça que ela havia tirado da tubulação, junto com o filtro usado. Era muito parecida com a primeira, mas sem alça.
-O que você acha disso? – perguntou a Sael.
Ele ergueu a mão esquerda, ainda um pouco fraca, e pegou a peça na mão. Observou com calma o formato e comparou com a que tinha visto antes. Quando entendeu o que estava vendo, seus olhos se arregalaram e se viraram na direção de Nara, que respondeu com um olhar de compreensão.
-Pois é. Eu achei que você poderia explicar de onde isso veio, e que material é esse, mas o que você me disse só deixa tudo ainda mais confuso.
Sem entender muito bem o que tinham encontrado, os dois caminharam lentamente até a entrada da estação, em silêncio. Quando finalmente se sentaram, Nara perguntou:
-Você acha o mesmo que eu, né?
-Não sei o que achar, Nara.
-Eu fico pensando no sujeito que eu vi hoje no Setor Nove.
-Por que?
-Ele tava falando de Yonia, né – disse Nara, olhando em volta.
-O que tem Yonia?
-Bom, todo mundo sabe que lá a gravidade é maior, a atmosfera é mais densa…
Sael entendeu o que ela queria dizer.
-Deixa de ser doida, Nara. Como que eu ia sentir qualquer coisa de lá se eu estava aqui o tempo todo?
-Não sei, Sael… só sei que o que você disse que sentiu combina com o que a gente sabe sobre Yonia.
-Ou você me mostra um raciocínio lógico pra explicar como eu senti isso, ou vocẽ tá dando bola demais pra herege maluco.
-Se fosse só um herege maluco não tinha patrulha recolhendo o cara.
-Talvez. Mas você não respondeu o meu desafio.
Nara se rendeu.
-Ok, eu admito. Mas eu duvido que você também nunca tenha parado pra imaginar como seria, viver num planeta onde a gente não precisa ficar fiscalizando cada gota de água.
-Talvez. Mas a gente nunca sobreviveria.
-É, verdade. Mas… e esse artefato?
-É um artefato agora?
-Vamos supor que sim.
-Tá. Que seja. Eu admito, eu nunca vi um material como esse.
Olhou uma última vez para a água.
-E eu nunca ouvi falar de uma caneca quebrada.

Triz Persoli

Douglas J. Vieira