Pensamentos livres sobre a greve

A edição passada do Boletim Supernova, de nº 14, serviu de espaço para que a comunidade “ifuspiana” pudesse publicar textos de opinião e registros sobre a greve. Após ler os diversos textos muito bem escritos sobre o assunto, senti, no entanto, falta de diversidade opinião, e, por isso, motivei-me a deixar também minha contribuição, ainda que talvez tarde. Lembro no decorrer da greve diversas discussões nos grupos de WhatsApp, em que muito se falou que os alunos contrários à greve – e, para não correr o risco de causar falsas impressões aos menos perspicazes, adianto que me incluo nesse grupo – não se manifestavam, que não se posicionavam, que se calavam nas assembleias e que se indispunham a discutir, escondendo-se sempre sob ironias, tentativas de descredibilizar os grevistas e caos nos grupos de WhatsApp. Bem, como sou uma pessoa que se sente mais confortável com o texto escrito do que no debate ao vivo, espero que esta redação seja um passo para mudar ou desmentir a realidade apontada e, se você lê este texto, é sinal de que, concordando ou discordando, podemos ao menos celebrar a convivência respeitosa de opiniões díspares.

Antes de discutir o que pretendo de fato, faço alguns esclarecimentos. O primeiro é que sou ateu, e por isso nada inclinado a crer em santos e nem em demônios. A situação da greve é delicada, e não vejo mérito nos discursos maníqueistas que a orbitam. Porém, como os textos da edição passada me pareceram muito enviesados a um olhar positivo da greve, irei enfatizar os negativos. Não significa que não reconheça os positivos: apenas que já foram esgotados nas edições passadas (e em todas as publicações do site do CEFISMA ao longo da greve) e julgo, pois, muito mais frutífero discutir aquilo que tentam varrer para debaixo do tapete. Em particular, quero tocar nos seguintes pontos: às acusações de aparelhamento do movimento estudantil por partidos políticos radicalizados, a parcialidade e até improbidade intelectual com que as lideranças oficiais da greve repassavam informes a nós meros mortais, o modus operandi das assembleias e dos piquetes, completamente àvessos à qualquer princípio minimamente democrático, e à necessidade de implementação do voto online se quisermos um processo realmente democrático, amplo e representativo em quaisquer tentativas de greves futuras.

Interesses escusos x interesses estudantis

Perto do deflagrar da greve, o Centro Acadêmico da Filosofia (CAF) soltou uma nota de repúdio ao aparelhamento do DCE Livre da USP pela entidade Correnteza [1]. Conforme apontado no documento (que você pode verificar na referência abaixo, ao invés de simplesmente tomar minha palavra como dada), uma reunião secreta e sem ata foi convocada por membros do Correnteza entre entidades da FFLCH e o DCE Livre da USP para pautar marcha que vimos se efetivar em 20/05, rumo ao Palácio dos Bandeirantes:

Nesta reunião secreta e sem ata, foi pautada a “Marcha estadual por direitos e pela vida”, que o DCE da USP vem articulando com o DCE da UNIFESP e outros DCE’s estaduais. E, com ela, começou a se planejar uma ocupação do Palácio dos Bandeirantes (sede do governador do Estado de São Paulo), que seria sustentada pela marcha que ocorreria no dia 20 de maio. […] foi sugerido o planejamento de uma greve geral na USP (antes mesmo de se discutir ou ouvir es estudantes da USP) até o dia 20 de maio, com o objetivo des alunes comporem massivamente a marcha e a ocupação. Foi a partir do dia 25/03 que o CAF foi informado que se estava planejando fazer uma greve geral na USP, e essas reuniões iriam arquitetar como construir e mobilizar es estudantes para esta greve. Foi nesse momento que se começaram a pautar os motes “contra a precarização e o sucateamento” e “contra o Tarcísio e o Fascismo”[1].

Ou seja, ao contrário do que alguns pregam, a greve não surge organicamente da insatisfação dos estudantes frente aos problemas e precarização da universidade, mas sim como uma estratégia de grupos políticos que se interessam em usar os estudantes como corpo para uma marcha política.

Logo adiante, o documento aponta que “[…] um dos diretores do DCE pelo Correnteza confirmou para um membro do CAF que estavam recebendo orientações de sua diretoria para construir uma greve na USP.} e que […] começou a se planejar como engajar estudantes para a paralisação, esta que tinha como objetivo impulsionar a greve e a marcha, sucessivamente. Desde o dia 1 de abril que […] ocorreria uma assembleia para votar o indicativo de greve”. Ou seja: a greve e a marcha já estavam sendo pautadas antes da própria paralisação. Não é meu intuito transcrever a nota em toda sua extensão, então deixo apenas algumas ressalvas. Se você, como eu, não está completamente a par do funcionamente do DCE Livre, suas hierarquais, cisões internas e afins, permita-me esclarecer que a denúncia do CAF se refere a um partido particular que compõe o DCE – o Correnteza -, e há outros grupos políticos do DCE que sequer estavam cientes desta movimentação secreta e perversa. O documento cita em particular o PSOL e a UJC/PCBR nesse aspecto. Não tenho vínculo nenhum e nem apoio nenhum desses dois grupos; mas, faço esse destaque para não parecer que estou tentando deslegitimar o DCE nem acusando ninguém injustamente. Não obstante, não acho que isso torne menos alarmante a situação exposta na nota.

Nos dois parágrafos anteriores, busquei trazer à tona evidências do aparelhamento do movimento estudantil que foram levantadas pelo próprio movimento estudantil. O próprio CAF se revela favorável à greve em sua nota de repúdio e, assim, não acho que essas evidências sejam tentativas de deslegitimar a greve, mas sim de expor diversas falcatruas que se escondem sob a superfície. Mas acho justo e parcimonioso tentarmos também entender qual foi a percepção do outro lado, que na verdade, tem muito em comum com a nota do CAF, conforme evidenciado em falas do atual reitor, Sua Magnificência Aluísio Segurado, em entrevistas a jornais e revistas externas. Em matéria à Folha de São Paulo [2], o reitor, quando perguntado se a greve teve motivação eleitoral, responde:

Na primeira reunião que fiz com os estudantes, antes da paralisação começar, já me falaram que havia uma manifestação, uma marcha ao Palácio dos Bandeirantes, agendada para 20 de maio. Se no dia 19 de abril, quando pela primeira vez as demandas estavam sendo trazidas, já me dizem que o movimento tem que estar mobilizado para marchar ao Palácio, fiquei com a sensação de que quaisquer coisas que fossem tratadas ao longo de todas essas conversas dificilmente levariam à interrupção de um movimento que tinha uma data marcada, com um compromisso que não foi estabelecido aqui. [Motivações] eleitorais, sem dúvida. [2]

Não sejamos ingênuos de tomar este relato de imediato. Foi publicado em Junho, já muito após a realização da Marcha, então seria muito fácil ao reitor comentar retroativamente em tentativa de escusar a indisposição que teve de negociar com os estudantes. Mas não deixa de ser interessante notar que, assim como as lideranças da greve acusavam o reitor de intransigência, de fugir ou de se negar ao diálogo, o outro lado também partilhava da percepção de que as lideranças não estavam nessas reuniões com o intuito de negociar, mas de prolongar a greve até a data programada. Em seguida, na matéria, o reitor é indagado sobre outros elementos que reforçassem essa percepção sobre motivações eleitorais, e acho muito interessante sua resposta:

Me causou estranheza jamais ter visto uma dessas lideranças do chamado comando de greve portando uma camiseta da USP ou da sua faculdade. Eles sempre portavam camisetas de movimentos apoiados em partidos extremistas, a grande maioria dos quais sequer tem assentos no parlamento. E, nas conversas, por diversas vezes, o estudante não se apresentava como ‘fulano de tal, aluno do curso tal da faculdade tal’. Ele se apresentava como ‘fulano de tal, do movimento X ou do movimento Y’. Isso me faz pensar que a voz que ele externava ali era muito mais a voz do movimento do que a do estudante.[2]

Isso certamente não é prova de nada, mas não deixa de fazer pensar se os nossos “representantes” nas mesas de negociação não estavam ali antes em nome de seus próprios partidos do que em nome dos estudantes. E, de certo, que acompanhou a greve atentamente viu que as reivindicações pareciam pares de partículas e antipartículas constantemente emergindo do vácuo quântico e logo se aniquilando. Fico na dúvida o quanto era genuíno e o quanto eram tentativas de prolongamento da luta.

Infelizmente, não existe ata divulgada de nenhuma das mesas de negociação entre reitoria e estudantes (até onde me consta), então a nós, meros mortais, resta colher migalhas daquilo que cada lado relata e tentar reconstruir como de fato cada parte agiu nesses bastidores. Mas, pelo menos, está registrada no Youtube [3] gravação da Reunião do Conselho Universitário (CO) de 26/05/2026, a qual, todavia, teve de ser interrompida antecipadamente devido à postura de alguns representantes discentes (em particular, representantes do DCE). Você pode conferir na referência [3], em torno de 7 minutos e 10 segundos do vídeo. Os representantes discentes levantam uma questão de ordem (já em si de muita má-fé, contendo diversas acusações implicítas contra a mesa) e, insatisfeitos com o esclarecimento da mesa, se recusam a permitir o andamento da reunião caso uma de suas pautas não fosse contemplada. Frente à indisposição da mesa em ceder, levantam-se rumo ao palco e começam a discursar aos gritos. Os ânimos apenas se escalam daí em diante, até que o reitor decide encerrar a reunião. Acho esse vídeo muito instrutivo, pois foi a primeira vez que pude ver o que realmente certos representantes do DCE entendem por negociar. Talvez tenham se portado como adultos nas demais mesas de negociações; provavelmente os representantes são até distintos em cada caso. Não sejamos desonestos e não falemos sobre aquilo que não sabemos. Mas o chilique birrento e infantil reportado no vídeo certamente nos dá um indicativo do porquê as negociações com a reitoria estavam sendo tão difíceis e pouco frutuosas…

Parcialidade dos repasses e improbidade intelectual

Este tópico emenda direto no final do anterior. Como apontei, esta registrado no Youtube como cada parte se portou na Reunião do CO de 26/05/2026. Sobre os demais encontros, não podemos ter certeza. Mas os repasses do Comando de Greve, pelo menos na minha unidade, sempre tiveram um teor maniqueísta: o reitor com aquele que se levantou e saiu correndo da mesa, que está acovardado frente aos alunos – quase um Saruman, escondido em Orthanc e vendendo sua lealdade ao mal maior, Sauron de Freitas. Já os alunos são absolutamente maduros, corajosos, nobres, responsáveis – praticamente herdeiros dos antigos nobres reis de Númenor, que salvaram os povos livres da Terra-Média da tirânica opressão em 1985. Brincadeiras e exageros à parte, foi essa versão que ouvi diversas vezes ser repassada, tanto nos grupos de WhatsApp onde faziam os informes como nas Assembleias (cujas atas até hoje não entendo por que não foram publicadas; então aqui infelizmente careço de referência para citar.).

Como apontei, o tom dos repasses era maniqueísta. Mas, para não ficar falando em abstrato, dou um exemplo concretíssimo. Este repasse esta na página do CEFISMA, na aba “Comunicação: Greve 2026” e, por isso, acredito que tenha legitimidade como um comunicado oficial das lideranças locais da greve à comunidade “ifuspiana”. No texto “Greve 2026 – 2ª semana de Maio” [4], há uma descrição detalhada dos eventos dos dias 07/05 a 10/05, isto é, desde os primeiros movimentos frente ao prédio da reitoria, que culminaram na invas- perdoe-me, na “ocupação” do prédio, até a truculenta desocup- digo, a invasão por parte da polícia para remover os pacíficos estudantes ali alojados. Todo o relato no texto é sob a ótica dos estudantes, o que é compreensível (visto ser um texto na página do Centro Acadêmico), mas não por isso menos enviesada. Insistem que sua ocupação foi organizada, cooperativa, não gerou dano ao patrimônio, garantiu a integridade de todos os trabalhadores locais, que se restringiram apenas a uma ala central do prédio, de que agiram completamente dentro da legalidade (embora o parecer da SSP seja de que havia entorpecentes e armas brancas no local, além de uma série de outras avarias na entrada do prédio [5]). Como eu não estava presente, não posso dizer se as coisas se deram desse exato modo ou não; mas, como pontuei, sou cético e não creio em santos, então tenho muita dificuldade de crer que um grupo que, embora composto por alguns mais moderados, também estava repleto de mascarados, filiados a partidos extremistas e delirantes, até militantes anarquistas e radicalizados, que pularam e derrubaram a grade e, a seguir, as portas, tenham agido de forma plenamente responsável, dentro de seus direitos, sem nenhum objeto irregular e sempre abertos a dialogar antes de tentarem qualquer violência.

Talvez eu seja excessivamente cético, mas, conforme a brincadeira que fiz um pouco acima, a própria escolha de palavras pode revelar posicionamento e, quando um repasse oficial chama a invasão da reitoria de “ocupação”, este repasse esta conferindo um falso ar de legitimidade jurídica que na verdade não existe e, isso é desonesto, e naturalmente inclina-me à dúvida. Do mesmo modo, desocupação policial foi propositadamente truculenta e desumana, mas chamá-la de invasão ou caracterizá-la como ilegal é, novamente, antes de tudo uma opinião, pois, do ponto de vista jurídico, há argumentos para que a invasão por parte dos estudantes configure crime em flagrante, o que legitimiria o horário e o modo da ação sem mandato e/ou aviso prévio. Minhas condolências a todos os que se feriram durante este processo e desejo honestasmente que tenham se recuperado ou estejam em vias de. Peço perdão se minha expressão neste dois últimos parágrafos possa ter soado insensível. Todavia, as falas em torno desse acontecimento foram muito dominadas pelo viés emocional e, por isso, quis adotar uma postura pragmática nesta análise, emocionalmente distante; mas não pretendo de forma alguma diminuir a dor dos que sofreram na madrugada de domingo, e peço que não interpretem dessa forma.

Vamos para um tópico menos mórbido, mas ainda nessa questão de parcialidade e improbidade. Para não falar em abstrato, vou novamente escolher um exemplo (emblemático, ao meu ver) e destrinchá-lo. Vamos falar da minuta dos espaços estudantis, que certamente foi uma das maiores forças motrizes para a adesão do IFUSP à greve, discutida extensamente em carta aberta publicada pelo CEFISMA durante a paralisação que precedeu a greve. Nela, após explicarem a história do Amélia Império e sua importância para a autonomia universitária, escrevem:

A minuta da Procuradoria Geral ignora tudo isso. E ignora também a lei. Os estudantes estão juridicamente respaldados por termos de cessão de uso que existem há mais de trinta anos. A Constituição Federal, nos artigos 206 (inciso VI) e 207, garante a gestão democrática do ensino público e a autonomia universitária. O Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013) impõe à Administração Pública o dever de fomentar a livre organização da juventude, não de restringi-la. A Lei nº 8.666/1993, que a Procuradoria invoca como argumento, sequer menciona permissão de uso. E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar caso semelhante envolvendo o Centro Acadêmico de Direito da UnB (Agravo em Recurso Especial nº 41.027), autorizou expressamente a subcontratação, afirmando que proibi-la “geraria enormes prejuízos à função representativa dos estudantes”. Tudo isso está detalhado no parecer jurídico do advogado Dr. Igor Assunção Lopes (OAB/SP 496.497), que segue em anexo. [6]

Os artigos 206 (inciso VI) e 207 da Constituição Federal se lêm, respectivamente, “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: […] gestão democrática do ensino público, na forma da lei;” e “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”[7] Vemos que isso em nada versa sobre espaços estudantis e sua autonomia. Do mesmo modo, você pode acessar a referência [8] e verificar que o Estatuto da Juventude, embora imponha o dever de fomentar a livre organização da juventude, na diz a respeito dos meandros de sublocação de espaços públicos e, assim, invocar este Estatuto aqui é muito mais uma manobra retórica do que qualquer outra coisa. Quanto à Lei nº 8.666/1993, não é claro onde exatamente a Procuradoria a usa como argumento, pois, pelo menos no texto da Minuta, essa lei sequer é mencionada (e, na verdade, esta lei sequer esta mais em vigor), então genuinamente não faço ideia a que o CEFISMA se refere aqui. Quanto ao Agravo em Recurso Especial nº 41.027, é necessário salientar que a afirmação citada não é um parecer do agravo, mas sim uma citação de uma declaração dos centros acadêmicos da UnB [9]. Após ler o agravo, parece que o argumento da função representativa dos estudantes é antes de tudo acessório, pois a decisão final se amparava sobretudo no valor da locação, que dispensava licitação por corresponder a menos de 10% do limite da alínea. Então, não faz sentido comparar o caso da UnB com de nosso Instituto. A locação lá era de R$ 350,00; a do CEFISMA supera R$ 7000,00 [10]. Não conheço todos meandros legais para saber qual a alínea atual referente à USP, mas certamente nem o CEFISMA, nem seu advogado, trouxeram isso à tona, então acho que o ônus da prova de legalidade recai sobre eles, e não a mim.

O último ponto a comentar sobre o parágrafo que cito da carta aberta seriam os supostos “termos de cessão de uso que existem há mais de trinta anos”, pois acho no mínimo curioso que a carta cite esses termos em abstrato, mas sem especificá-los (e também não os encontrei na página do CEFISMA). Esperemos que não se refira ao “termo de convênio e adjeta cessão de uso”, o qual, firmado em 1981 para concessão do Amélia Império à administração dos estudantes, versa apenas sobre exploração da lanchonete, mas nada sobre as demais instalações que alugam o local. Isso constitui irregularidade e, por si só, seria suficiente para findar o convênio [11]. Mas o documento que cito em [11] é de 2014, e talvez mudanças das quais eu não esteja ciente, por não ter encontrado documento a respeito, tenham alterado a situação de 2014 para cá. Não obstante, sei que o CEFISMA está atualmente aguardando um parecer do Ministério Público que (não tenho certeza, pois não encontrei referências a respeito; apenas ouvi falar nas Assembleias, e então tome o que digo com uma pitada de sal) se refere justamente a uma denúncia de irregularidade feita contra o CEFISMA em 2016, e que, na época, o parecer foi de desocupar o prédio em 30 dias. Enfim, chama atenção que tanto a carta aberta do CEFISMA como o parecer jurídico do advogado do CEFISMA mencionam os tais “termos de cessão de uso que existem há mais de trinta anos” sem de fato apresentá-los, e tentam transparecer uma situação de regularidade que na verdade não há.

Não sou contra a pauta da minuta, e minha intenção aqui não é deslegitimi-la (até porque ela já se resolveu em parte). O que quero mostrar é que, se até uma pauta praticamente unânime entre os estudantes – que é a manutenção de seus espaços autônomos – foi apresentada de forma parcial, repleta de viéses de confirmação, meias-verdades e cherrypicking, o que então pensar de outras pautas mais controversas, que, se apresentadas em sua versão nua-e-crua, talvez não angariassem o mesmo apoio? Para concluir em tom mais leve, se os dois parágrafos anteriores não lhe convecem de que as informações não tem sido repassadas de maneira completa, vamos analisar agora o que a greve conquistou quanto aos espaços estudantis. Após uma semana de greve, a minuta foi revogada. Isso seria muito de se comemorar, se ela não fosse apenas uma minuta, isto é, um rascunho de documento. O discurso alarmista e palanqueiro do movimento grevista fez parecer que os espaços estavam sob ameaça iminente, que o reitor havia decretado o fim de sua autonomia, sendo que, na verdade, a minuta constitui um ponto de partida para elaboração de um documento oficial. Nesse sentido, não se revoga uma minuta de fato, apenas a descarta. Talvez para você seja apenas uma questão irrelevante de semântica, mas de certo que tanto o movimento estudantil como a reitoria (que também não teve vergonha de dizer que “revogou” a minuta [12]) gostaram do termo “revogar” para engrandecer suas ações.

Vamos finalmente concluir esta seção falando sobre a mudança do discurso do comando de greve no que tange extensão do calendário e não-retaliação. Nas duas últimas assembleias, diversas falas pró-greve da plenária foram no sentido de que, se saíssem da greve sem o termo de não-retaliação e sem garantia de reposição de aulas e extensão de calendário, seria um tiro no próprio pé. Nesse momento, a fala de representantes da mesa e do comando orientou-se no eixo de que, devido à liberdade de cátedra, havia limitações naquilo que poderia se exigir dos professores e, assim, não era possível prometer a extensão do calendário e reposição de aulas, e, ainda que se assinasse um termo de não-retaliação, isso ainda não poderia garantir que nenhum aluno fosse injustamente perseguido. Embora eu concorde com os apontamentos feitos pela mesa e pelo comando neste contexto, estarrece-me a mudança de discurso comparado ao início da greve. Desde a primeira assembleia e, especialmente na segunda, em que houve acalouradas discussões referentes a isso na assembleia de tarde, a postura da mesa e do comando havia sido de que nada é negociado sem antes assinarem a não-retaliação e a reposição de aulas e calendários. Acho, assim, muito curioso como o discurso mudou do início da greve para o fim.

Ao meu ver, a questão de perseguição e reposição de calendário era um dos pontos mais delicados, com muitos alunos favoráveis à greve, mas com medo dessas duas possíveis sequelas. E, no início da greve, a postura inicial do comando foi de assegurar que não se preocupassem com isso, pois seriam condições sine qua non para encerrar a greve e, mesmo caso a diretoria e a reitoria não aceitassem esses termos, então o CEFISMA entraria com advogado (isso foi dito na segunda assembleia; infelizmente não tenho a ata). Porém, no encerramento da greve, a tônica de repente muda. Por que isso ocorreu? Tenho duas conjecturas. A primeira é que o comando realmente achava que seria capaz de garantir essas duas seguranças, mas, no decorrer do processo, percebeu que não. Se esse for o caso, foram irresponsáveis e amadores. Prometeram aos alunos algo que não poderiam entregar. A outra hipótese é que sabiam que seria muito difícil garantir estes termos, mas, mesmo assim, optaram por fingir que era algo que estava ao seu alcance, a fim de angariar apoio dos indecisos. Não vou entreter esta hipótese por uma questão de decoro e de respeito, mas ainda concluo que, se esse for o caso, foram mentirosos. O fato é que, conforme as aulas e provas retornam, e pouquíssimos dos meu professores estendem o calendário, parte até considerando a matéria do período de greve como dada, parece-me inegável que as lideranças da greve prometeram lá no início o que não podiam entregar, e que isso sirva de lembrete a todos na próxima vez que uma greve vier à tona.

Assembleias e piquetes x democracia

Mudando um pouco de assunto, uma resposta que sempre ouvi quando acusava a Assembleia de ser um ambiente muito parcial era de que, na verdade, os alunos contrários à greve simplesmente não se dispunham a ocupar este espaço e, assim, isso dava a impressão de que a Assembleia estava enviesada. Não vejo como isso é uma objeção à tese de que a Assembleia seja enviesada; pelo contrário, justamente a confirma. O que é interessante, na verdade, é buscar entender por que existe essa disparidade.

Fazendo uma análise simples (mas instrutiva, um toy-model), creio eu que pessoas politicamente engajadas são mais propensas a participar da Assembleia do que as não engajadas. Até aqui, o argumento é quase tautológico. Devemos pensar, então porque alguns se engajam mais do que outros. Sou da opinião que quem acredita na participação e na luta política como meio de transformação da realidade tende a ser mais engajado, enquanto quem não é engajado é porque acha que a luta custa muito mais do que os resultados que ela traz. Nesse sentido, quem é a favor da greve o é precisamente porque acredita na greve como instrumento de transformação, enquanto, quem é contra a greve, é porque enxerga a metodologia como, acima de tudo, um tiro no próprio pé (explicarei melhor adiante).

Nesse sentido, a Assembleia tende a ser uma amostra enviesada, pois quem quer frequentar a assembleia é quem crê no poder transformativo da política e, por extensão, na greve; enquanto quem não quer frequentar, é justamente porque acha o processo, não raro, uma grande perda de tempo e energia. Como vivemos em uma democracia, em que é livre a manifestação de pensamento (vedado o anonimato!) e a associação [8], essa divergência de opiniões não deveria ser nenhum problema. No entanto, ela se torna problemática quando a parcela politicamente engajada passa a entender que seus metódos são os únicos legítimos, e que aqueles que discordam são alienados ou mal-informados. Sob essa ótica, ela decide arbitrariamente que 10% de quórum é suficiente para impor sua vontade aos outros 90% (nas assembleias, alegaram que o quórum mínimo era de 100 votos, o que é menos do que 10% de todos os alunos do IFUSP, contando graduação e pós-graduação).

A forma mais explícita dessa manifestação é o piquete. Primeiro, vamos deixar claro que não existe lei que garanta aos estudantes direito à greve. A depender da sua linha jurídica, você pode até argumentar que este direito existe na prática, mas, olhando apenas para a legislação em vigor, estudante não tem direito a greve, ao contrário do que alguns pregam por aí. Podemos, no entanto, tentar olhar para a Lei de Greve [15], que dispõe sobre a greve de trabalhadores, e tentar transpor para a realidade estudantil, para pelo menos termos algum amparo e não argumentamos com base em delírios.. Olhando para essa Lei, chama atenção o Artigo 6º:

6º São assegurados aos grevistas, dentre outros direitos:

I – o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;

II – a arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento.

§ 1º Em nenhuma hipótese, os meios adotados por empregados e empregadores poderão violar ou constranger os direitos e garantias fundamentais de outrem.

§ 2º É vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento.

§ 3º As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa.[15]

Do parágrafo 3º, é imediato que o piquete que não raro se realiza com cadeiras e armários, em tentativa de bloquear acesso dos demais aos prédios e às aulas, está em manifesta contradição com a Lei. Poderíamos também invocar o direito de ir e vir (o que, porém, não vou fazer, pois acho que carece de especificidade e , por isso, não é proveitoso à discussão), mas, especialmente, o Artigo 42 da Lei das Contravenções Penais:

Art. 42. Perturbar alguem o trabalho ou o sossego alheios:

I – com gritaria ou algazarra;

II – exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais;

III – abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;

IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda:

Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.[16]

Em particular, lembro-me, na primeira Assembleia, de membros da mesa e da plenária declarando com orgulho que perseguiram um professor, no dia da paralisação de 14/04, com batuques, gritaria e algazarra após ele ter “furado o piquete”. Uma breve digressão: pouco antes desta declaração, haviam se referido ao grupo anti-piquete da Poli como “animais”, e, mais tarde, zombaram de se portarem como “macacos” (mais uma vez, não tenho a ata da Assembleia, então não me lembro exatamente se chamaram-nos de macacos ou se apenas zombaram que rugiam e berravam como gorilas ou similar). Não defendo as atitudes deste grupo anti-piquete, mas aponto uma contradição no discurso grevista, pois, do modo como descreveram a ação desses alunos da Poli, certamente beiram à barbaridade, mas não mais do que a própria gritaria e algazarra organizada por piqueteiros.

Os grevistas costumam argumentar que como a greve e o piquete foram votados em Assembleia, seria legítimo impor as decisões da Assembleia aos demais alunos e professores. O primeiro ponto que o movimento estudantil deveria entender é que a Assembleia não existe acima da Lei e, portanto, aberrações legais como o piquete sequer deveriam ser levadas para votação. Além disso, o Artigo 8º, inciso V, da Constituição Federal assegura que “ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato” ou, ainda o Artigo 5º, inciso XX, “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado” . No meu entendimento, decorre dos artigos supracitados que nenhum aluno é obrigado a se submeter às decisões da Assembleia (quanto aos professores, basta saber que a Assembleia estudantil não os representa, então nem sei como alguém em sã-consciência acha que eles devam se submeter ao que a Assembleia discente deliberar). Por isso, se o indivíduo discorda da greve e decide frequentar aula, está no seu direito e, ao contrário do que alguns pregam, não está violando direito coletivo nenhum (pois não impede os demais de sustentarem a greve). Por outro lado, quando quem é pró-greve decide impedir o acesso de todos às aulas, então o direito coletivo atropela o individual, numa lógica totalitária. Democracia pressupõe o dissenso e, logo, a coexistência de interesses coletivos e individuais. Usar o primeiro para solapar o segundo é a tirania do coletivo, independente de se os fins são ou não nobres. Felizmente, não vimos muitos piquetes agressivos no IF durante esta greve.

Concluo esta seção caracterizando um pouco porque acho que a greve é um tiro no próprio pé. Da forma como eu a percebo, as conquistas desta greve em particular poderiam ter sido alcançadas por outros meios que não 5 semanas de greve sem perspectiva de negociação. O aumento do PAPFE não mudou desde o que se acordou na segunda semana de greve; a questão da má qualidade do bandejão parece que não houve nenhuma perspectiva de mudança (e por algum motivo membros do movimento acham que espalhar fotos pelo Instituto é mais eficaz que acionar a vigilância sanitária, enfim…); a mudança de calendário foi no máximo uma sugestão, ou melhor, uma permissão para docentes publicarem notas mais tardes caso necessário (falo do que tenho observado ocorrer a nível IFUSP, não sei se outras unidades procederam de outro modo). Pergunto-me o quanto coisas como linhas BUSP entre San-Fran e Med. ou inclusão de proteína no café da manhã do RU, não poderiam ter sido conquistadas sem precisar interromper aulas por 5 semanas. Tiveram também os diversos GTs, mas ainda precisamos ver o que de fato saíra disso. E, claro, a questão do orçamento, embora importante, não parece ter sofrido influência nenhuma da greve, e a própria Marcha contra o Tarcísio e “sucateamento/privatização da universidade” foi muito mais simbólica do que qualquer coisa. Acho curioso que ninguém pensou em organizar protesto na ALESP , visto que, caso se deseje mudar a Lei de Repasse das Estaduais, compete à ALESP promulgação de legislação desse tipo (mas entendo que isso não seria tão chamativo quando uma “Marcha contra o Fascismo e não sei das quantas”).

Sei que circula uma matéria no jornal do campus [14] que lista as conquistas de greves passadas, e a vi ser usada por muitos como evidência da efetividade da greve. Note, no entanto, que há apenas uma greve listada sendo apenas dos alunos. As demais greves que tomaram corpo envolveram os funcionários e professores que, de fato, tem um poder de barganha maior, pois interromperem suas atividades desestrutura a universidade. Já no caso dos alunos, há muito pouco poder de barganha e, por isso, recorrem à violência e ao vandalismo. Falo aqui de greves anteriores, pois nesta a diretoria foi mais rápida em impedir que usassem as cadeiras para barrar acesso ao prédio, e o piquete foi frustrado deste o início. Quando voltamos às aulas após cinco semanas, nem o movimento tinha mais força para manter o piquete. Acho irônico que a própria diretora basicamente definiu o início e o fim efetivos da greve: grande prova da força dos estudantes!

Enfim, no longo prazo, quem mais se prejudica são os próprios alunos, que pagam um alto custo por conquistas pífias. E, em particular, aqueles que não concordam com a greve são obrigados a arcar com as consequências de uma luta da qual não sentem fazer parte. É nesse sentido que alguns dizem, talvez em tom um pouco hiperbólico, que há um sequestro, pois os grevistas fazem a este grupo (e, no fundo, a si próprios também) de reféns para tentar barganhar algo com as autoridades em questão. Alguns dizem que o contrário (isto é, permitir aulas concomitantes à greve) seria ser conivente com retaliação, pois, se as aulas continuassem, os grevistas seriam desproporcionalmente prejudicados. Se você pensa deste último modo, então na verdade concorda comigo que a greve é um tiro no próprio pé, com detalhe que você atira em seu próprio pé e depois culpa as leis da física e da biologia por ter se ferido.

Voto Online

Finalmente, nosso último tópico. Prometo ser breve aqui. Recuperando a crítica que fiz ao quórum mínimo no início da seção anterior, talvez eu esteja enganado, e a amostra de 10% na verdade seja representativa da maioria, apenas em menor escala. Mas apenas saberemos se esse é ou não o caso quando tivermos votações genuinamente amplas, e não a piada que é feita nas Assembleias. A “urna eletrônica” com voto semi-secreto implementada recentemente foi um grande avanço ao meu ver, e parabenizo os responsáveis pelo empenho em encontrar alternativas ao voto do cabres- digo, ao voto por contraste. Porém, ainda há o que melhorar.

Primeiro, ninguém deveria ser obrigado a participar da Assembleia apenas para votar. Acredito que para alguns, a experiência de debater e ouvir opiniões na Assembleia ajude a formar suas opiniões e se decidir. Para outros, nos quais me incluo, é uma grande perda de tempo. Nas 5 assembleias que compareci ao longo da greve, ouvi apenas os mesmos lugares comuns vindos da plenária, os mesmos discursos idealistas e às vezes até delirantes, e senti ser uma grande câmara de eco. Admito que não me manifestei, mas, honestamente, não acho que isso fizesse diferença. A razão é a estrutura da Assembleia favorecer o consenso local em detrimento da qualidade argumentativa. Como as falas são restritas a 3 minutos (menos em alguns casos), não há possibilidade de desenvolver uma argumentação consistente e apresentar de fato dados que lhe amparem. Concluída sua fala, haverá uma sucessão de outras falas curtas que afogam a sua apenas em número, independentemente de consistência argumentativa. Isso desmotiva que pensa diferente da maioria local a se pronunciar, pois sabe que, no fundo, as opiniões da maioria vão parecer prevalecer a afogar dissidentes puramente por serem maioria local e, assim, computarem um tempo total de fala muito maior, considerando as contribuições de vários locutores. E, se você leu meu texto até aqui, provavelmente percebeu como alguns pontos de discordância são muito profundos. Por exemplo, eu, e outros contrários à greve, entendem o piquete como uma aberração legal, que se sustenta puramente por conivência das autoridades; já para o grevistas, é simplesmente o curso natural da greve. Não acho que esse tipo de discordância possa ser discutido com a profundidade que merece em Assembleia e, por isso, é fundamental encontrar outras vias de diálogo que permitam um debate real e profundo. Espero que este texto possa dar um indicativo desta direção.

Ainda, independentemente de eu achar que a Assembleia não enseje de fato um debate saudável, fato é que condicionar alguém a votar somente mediante participação no debate é uma forma de restringir artificialmente o número de votantes. Sob o discurso de que “precisa estar informado para votar”, o que acontece na verdade é uma declaração daquilo que circula na Assembleia como se fosse a verdade absoluta, e que qualquer um que se informe por meios externos é mal informado. Sendo generoso e cedendo que esse fosse mesmo o caso, esse problema seria facilmente remediável se as atas das assembleias fossem divulgadas. Assim, que não pode ir poderia ler, se informar e votar depois.

Embora tenha conversado com algumas lideranças do (ex) comando de greve quanto ao voto online e buscado entender seu lado, ainda sinto que quando se diz que a Assembleia é importante para se informar, no fundo, o que se almeja é o monopólio do discurso. Quando as únicas discussões que de fato culminam em voto ocorrem sobre seu lar e sua regras, é muito mais fácil influenciar o resultado. Empiricamente, vimos que nas 3 primeiras assembleias, em que a mesa falou muito favorável à manutenção da greve, os votos pró-greve foram quase unânimes. Na 4ª Assembleia, que a mesa estava dividida, o resultado foi muito mais equilibrado e, na última assembleia, em que praticamente toda a mesa defendeu o fim da greve, o placar se inverteu completamente. Vejo isso como evidência da influência que mesa tem sobre a opinião da plenária. Admito também que é possível que na verdade a mesa apenas seja reflexo da opinião geral. São duas hipóteses, e precisamos discriminá-las de alguma forma. A minha proposta para isso, senhoras e senhores, é o voto online.

Primeiro, o voto online é o único capaz de realmente permitir a todos os alunos votarem. Diferente da Assembleia, que ocorre sempre em auditórios inevitavelmente reduzidos, o online permite participação ampla. Em seguida, contra a “urna eletrônica”, o voto online toma pouco tempo, pois cada um acessaria por seu dispositivo. Também seria uma alternativa mais segura. Considerando o sistema Hélios da USP, o voto seria secreto, auditável (diferentemente da urna) e, ainda, totalmente restrito aos alunos do instituto. E, de modo democrático, respeita tanto os mais engajados, que ainda podem se reunir em Assembleia para discutirem antes de votar, quanto aqueles que não vem nada de errado em se informar por fora da Assembleia e apenas votar. Resta, então, ao nosso centro acadêmico mostrar que realmente está interessado no processo democrático e empenhar-se em dialogar com a diretoria para usufruirmos deste sistema na próxima vez que a tempestade chegar.

Conclusão

Se você chegou até aqui, leitor ou leitora, agradeço seu tempo e sua disposição. Independentemente de concordar ou não comigo, espero que meus pontos tenham ficado claros, e que possa levá-los em consideração para repensar suas próprias opiniões. Infelizmente, há muito no texto que não cobri, para não me estender ainda mais. Se por um lado escolhi exemplos específicos (e emblemáticos ao meu ver) para não ficar falando em asbtrato; por outro, espero que não pareça que minhas críticas se resumem a estes casos particulares, e lhe convido a também procurar outros casos e exemplos se quiser entender melhor a situação. Tendo você sido contrário ou favorável ao processo que ocorreu, é importante que busquemos nos informar, comparar fontes diversas, tentar identificar viéses aqui e ali, e jamais delegar nosso pensamento à outrem. Sapere Aude! Observe, analise, entenda o que ocorreu nesta greve, os erros e acertos de cada parte, e não se esqueça do que se passou quando a próxima vier.

Sobre o autor:
Por Augusto C.B. de Carvalho, que às vezes escreve mais do que devia.

Referências:
[1] https://docs.google.com/document/d/1qYkyFJ9PUQyuguWwfD EnCcVXUgEdbCBvWi0JqiTMQ/edit
[2] https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/06/greve-tem-motivacao-eleitoral-e-extrapolou-pautas-universitarias-diz-reitor-da-usp.shtml
[3] https://www.youtube.com/watch?v=8Ctcz7U9EnA
[4] https://cefisma.com.br/boletim/greve/greve-2026-2a-semana-de-maio/
[5] https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-05/estudantes-da-usp-denunciam-desocupacao-ilegal-e-violenta-feita-por-pm
[6] https://leginf.usp.br/?resolucao=resolucao-7088-de-26-de-agosto-de-2015#::̃text=Baixa%20o%20Regulamento%20sobre%20a,no%20Campus%20USP%20da%20Capital.
[7] https://cefisma.com.br/boletim/cefisma/carta-aberta-do-cefisma-aos-docentes-diretoria-e-comissoes-do-ifusp-em-defesa-dos-espacos-estudantis-e-pela-paralisacao-de-14-de-abril/
[8] https://www.planalto.gov.br/ccivil 03/constituicao/constituicao.htm
[9] https://www.planalto.gov.br/ccivil 03/ ato2011-2014/2013/lei/l12852.htm
[10] https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/stj/893685210
[11] https://cefisma.com.br/transparencia/
[12] https://portal.if.usp.br/ataac/sites/portal.if.usp.br.ataac/files/anexo09 1.pdf
[13] https://jornal.usp.br/comunicados/comunicado-da-reitoria-24-04-2026/
[14] https://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2023/12/1988-a-2023-as-greves-historicas-da-usp/
[15] https://www.planalto.gov.br/ccivil 03/leis/l7783.htm
[16] https://www.planalto.gov.br/ccivil 03/decreto-lei/del3688.htm
[17] https://cefisma.com.br/greve2026/dossie-de-ocorrencias-da-greve-cefisma-e-comando-de-greve-encaminham-registros-a-diretoria-do-ifusp-e-a-cip/

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