O mês de maio em São Paulo geralmente é marcado pela intensa transição das condições atmosféricas tipicamente observadas durante o verão para o inverno. As temperaturas em média caem bastante ao longo do mês, e a precipitação se torna mais organizada, ocorrendo menos em eventos isolados de tempestades e mais em frentes frias.
Neste maio de 2026, esse comportamento de transição foi bastante intenso e rápido, contando com a primeira semana bastante quente e ensolarada, e a metade final do mês com muitos dias nublados e com temperaturas mais baixas. A temperatura média observada neste maio na estação meteorológica do IFUSP, localizada no topo do edifício Pelletron, foi de 18,3°C, e a precipitação total foi de 50,5 mm. A figura abaixo mostra as temperaturas observadas em cada hora do mês no IFUSP, onde vemos a grande mudança de padrão a partir do dia 09/05. O valor mais baixo do mês foi de 9,1°C ao amanhecer do dia 11, e o momento mais quente foi a tarde do dia 06, atingindo a máxima de 29,4°C.

Além dessas variáveis, a figura abaixo apresenta os ciclos diurnos de todas as variáveis medidas no IFUSP. Percebemos a alta correlação inversa entre temperatura e umidade relativa do ar, com os valores mínimos de temperatura e máximos de umidade ocorrendo por volta das 7h da manhã (16,2°C e 88%), enquanto o horário mais quente e seco é por volta das 15h (21,5°C e 66%). A velocidade do vento tipicamente cai durante a noite e a madrugada, após atingir um máximo no final da tarde. Isso ocorre devido à frequente entrada de brisa marítima nesses horários, o que também pode ser observado na rosa dos ventos apresentada a seguir, com a grande predominância de ventos mais fortes vindo de sudeste. A rajada máxima observada no mês foi de 40 km/h, reforçando a não ocorrência de fortes tempestades. Reforçando essa observação, vemos também que a precipitação não apresenta um pico de intensidade no final da tarde, com mais de 30% da chuva no mês ocorrendo entre as 6 e as 8 da manhã. Ademais, o efeito de maré atmosférica é fortemente perceptível, uma vez que em regiões tropicais ocorre com maior intensidade. Máximos de pressão ocorrem diariamente às 10 e às 23h, e mínimos às 5 e 16h, com amplitude média de aproximadamente 2,5 hPa. Por fim, a radiação média integrada no tempo, observada ao longo do mês, foi de 192,4 W/m², o que representa 49% do total incidente no topo da atmosfera. Essa diferença é causada principalmente pela alta cobertura de nuvens em grande parte do mês, com uma pequena contribuição também dos gases e aerossóis presentes sobre a cidade.


Sobre o autor:
Rafael Valiati, aluno de doutorado no Laboratório de Física Atmosférica do IFUSP.