A greve estudantil do IFUSP foi encerrada em 2 de junho de 2026, e as atividades já foram retomadas. Antes disso, porém, o Formulário Oficial de Denúncias seguiu recebendo relatos. Encaminhamos agora à Diretoria do Instituto de Física da USP, com cópia à Comissão de Inclusão e Pertencimento do IFUSP (CIP), o segundo dossiê de ocorrências, que reúne os registros da fase final da paralisação. Ele dá continuidade ao primeiro, encaminhado em 5 de maio, e não repete o que já estava lá: traz apenas as ocorrências novas, do período em que o Instituto ainda se encontrava paralisado.
O QUE FOI ENCAMINHADO
O documento reúne treze ocorrências válidas registradas entre 5 de maio e 2 de junho de 2026, agrupadas por tipologia e escritas no mesmo tom estritamente expositivo do primeiro dossiê: relatos factuais, com data, hora, local e modalidade, sem dramatização e sem encaminhamento automático para sanção. Como sempre, a confidencialidade dos estudantes é preservada conforme as autorizações marcadas no formulário, e esta nota pública não nomeia disciplinas nem docentes, concentrando-se no quadro coletivo. Quem foi atingido e quiser entender o estado do seu caso pode procurar diretamente o CEFISMA.
O QUE ESTE SEGUNDO DOSSIÊ MOSTRA
Se o primeiro dossiê retratou sobretudo a quebra da paralisação dentro de sala, com aulas presenciais e remotas mantidas durante a greve, este segundo mostra a tensão se deslocar para o desfecho do movimento. Foram cinco registros de aulas presenciais e um de aula remota, mas o traço dominante agora é outro: cinco registros de marcação ou aplicação de avaliações no período de paralisação e na iminência da retomada, e dois registros ligados a perseguição a integrantes do Comando de Greve.
A marcação de provas no apagar das luzes da greve é exatamente o que penaliza quem exerceu o direito de paralisar: cobra-se a avaliação antes de repor o conteúdo, e quem aderiu à greve chega à prova em desvantagem. Não é uma observação nossa apenas. A própria Diretoria, ao encerrar a paralisação, orientou o corpo docente a focar exclusivamente em conteúdo nas duas primeiras semanas de retorno e a deixar as avaliações para o fim do período letivo. O que pedimos é simples: que essa orientação seja para valer.
A RETALIAÇÃO INDIVIDUALIZADA E A CIP
Há evidência documental de um(a) docente que perseguiu abertamente integrantes do Comando de Greve. Esses casos são desdobramento direto do caso mais grave do primeiro dossiê, e por isso o documento volta a ser encaminhado também à CIP. Retaliar alguém por participar de um movimento deliberado em assembleia não é divergência política legítima: é retaliação acadêmica, e tem custo institucional.
O PIQUETE FOI PACÍFICO DO INÍCIO AO FIM
Vale reafirmar, como no primeiro dossiê: o piquete estudantil foi conduzido de maneira ordeira e pacífica do começo ao encerramento da paralisação, sem violência, dano ao patrimônio ou coação de quem quer que seja. A tensão registrada partiu de uma parcela específica do corpo docente, do IFUSP e de unidades externas que ministram disciplinas obrigatórias do curso. Ela não retrata a categoria como um todo: a maior parte dos docentes apoiou a greve ou a respeitou, e houve quem conduzisse a divergência pelo diálogo. O que o dossiê documenta é o desvio dentro do corpo docente, e o documenta justamente para que ele não se generalize. O porquê de a denúncia documentada ser o centro da defesa coletiva nós já detalhamos no primeiro dossiê (LINK PARA O PRIMEIRO POST).
A GREVE ACABOU, O ACOMPANHAMENTO NÃO
Com a paralisação encerrada, o Formulário Oficial de Denúncias permanece ativo e muda de função: passa, a partir de agora, a mapear todas as disciplinas e a forma como a retomada está efetivamente ocorrendo, em especial se a orientação firmada pela Diretoria está sendo cumprida. Seguiremos entrando em contato diretamente com os docentes cujas práticas destoem dessa orientação, buscando primeiro a composição pelo diálogo e, se o descumprimento persistir, encaminhando a questão aos canais institucionais responsáveis.
Por isso, continue registrando. Toda avaliação aplicada sem reposição prévia de conteúdo, toda contagem indevida de falta, toda pressão ou ameaça de retaliação ligada à greve deve ir para o formulário. O preenchimento pode ser totalmente anônimo, e quem denuncia decide, ao final, como a informação poderá ser utilizada.
CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O FORMULÁRIO!
Em situações de risco imediato à integridade física, psicológica ou acadêmica, a procura direta à diretoria do CEFISMA ou aos integrantes do Comando de Greve é o caminho mais rápido. Para os demais casos, o formulário é o canal oficial, e o link permanece fixado no Instagram do CEFISMA.